sábado, 5 de fevereiro de 2022

A comunicação das "rádias" jacobinenses e a definição de suas pautas: Uma abordagem política.


"Jornalismo é serviço público, não espetáculo" Alberto Dines.

    No intuito de retomar as reflexões sobre a nossa atmosfera sociopolítica municipal, sobretudo após um ano assistindo o comportamento discursivo dos microfones das rádios no que tange às pautas jornalísticas sobre a política local, vamos examinar alguns aspectos da comunicação radiofônica sob uma ótica crítica, sem a pretensão de ofender quem quer que seja, mas investigando as ondas do rádio como um objeto de estudo, um organismo ideológico integrado ao tecido social.  
    Neste sentido, salientamos que o conjunto das emissoras de rádio locais, se caracterizam como rádios comerciais, ou seja, veículos de informação que possuem sua atividade essencialmente baseada na venda de produtos e propagandas por meio da publicidade patrocinada, seja com recursos privados ou  públicos. 
    Dito isso, traçaremos uma pequena análise do modo como estas emissoras passaram a organizar a pauta de seus programas jornalísticos, sobretudo após a ruptura histórica nas forças que ora conduziam o Poder Executivo local. Aqui, vale ressaltar que desde a redemocratização, o Poder Executivo municipal nunca havia sido tirado das mãos dos caciques tradicionais, isto é, sempre transitava de uma família para outra, numa espécie de Dinastia, orbitando numa seara hegemônica constituída geralmente pela classe médica jacobinense. 
    Pois bem, adentrando em nossa observação, inicialmente gostaríamos de destacar um ponto comum na mídia local, durante as gestões lideradas pelas classes supracitadas, boa parte dos programas jornalísticos, optavam por um enfoque nas pautas ligadas ao governo federal, ou seja, a maioria dos "microfones" deslocava o debate para o âmbito federal, deixando de elencar problemas importantes ligados ao universo municipal, tanto é que nas últimas 3 décadas, os cofres públicos receberam aproximadamente 22 bilhões de reais e quase nenhuma obra estruturante foi erguida no município, tudo isso, sob o silêncio de muitos "microfones" supostamente comprometidos com o bem coletivo. 
    Neste ponto, vale ressaltar que durante esse período,  a mídia local intensificou sua cobertura nas manchetes com enfoque majoritário em atos do governo federal, especificamente, a partir do ano de 2002, quando pela primeira vez no século XXI houve um governo fora da atmosfera hegemônica, isto é, fora do eixo das forças dominantes, quando o povo elegeu um presidente das bases. 
    Deste modo, trouxemos à baila alguns fatos que servirão de base comparativa com o cenário atual, uma vez que desde o ano de 2016 houve mudança no governo federal e logo depois (2020) também no governo municipal. Nesta perspectiva, as forças atuais que ocupam o governo federal parecem ter a simpatia da maioria dos dispositivos de rádio comunicação municipal, sobretudo quando observa-se um grande número de jornalistas sendo vítimas cotidianas de ameaças e até agressões por parte do atual presidente e seus prepostos, mas raramente os radialistas pautam as mazelas do desgoverno federal, haja vista que até a derrubada do governo em 2016, a enfase na esfera federal era realizado de forma recorrente e constante, portanto, tal comportamento anula a premissa de que os "microfones" das rádios locais são neutros, pois no mundo onde as regras políticas são ditadas pelo capital e as ideologias, nenhum sujeito e/ou instituição social pode atribuir a si próprio, condição de neutralidade. 
    Não obstante, depois das modificações no tabuleiro político municipal e federal, uma questão que vêm chamando a nossa atenção, reside exatamente no novo formato da organização da pauta jornalística. Antes, o foco maior era os supostos problemas do governo federal, agora, o foco é quase que total na administração municipal com destaque para o que os atores midiáticos chamam de "erros", afinal, sabemos que toda atividade humana é passível de erros e acertos, mas ultimamente, na interpretação dos "pregadores" do rádio, a recém empossada gestão municipal somente é capaz de cometer "pecados". 
    Geralmente, a maioria das abordagens visam desqualificar as ações do governo municipal.  Ao que parece, a mídia local, por algum motivo, elegeu o primeiro governo liderado por um lavrador rural, ou seja, por um sujeito que não integra as classes historicamente dominantes, como o responsável pela criação e solução de todos os problemas históricos vivenciados na administração pública jacobinense. 
    Vale ressaltar que nos últimos 30 anos de governos liderados por médicos e pessoas apoiadas por tal segmento, dificilmente se viu tantos investimentos na sede e na zona rural, inclusive qualquer pessoa pode comparar levantando o montante de recursos públicos que passaram pela prefeitura nos últimos 30 anos e as respectivas obras realizadas com recursos próprios, levando em conta uma dimensão proporcional ao tempo de governo, sobretudo por se tratar do primeiro ano de governo fora do eixo administrativo dos "doutores". 
    Para Bourdieu (1979), novas relações estruturais estão sendo estabelecidas entre domínios da vida social, redes de práticas sociais ou campos, notavelmente estes instrumentos de comunicação em massa contribuem e talvez condicionam a forma e o modo como os sujeitos deverão perceber, enxergar o mundo material a partir de uma dimensão global, regional, nacional e local baseada na reprodução de um discurso dominante, mas a cada instante, o papel destas narrativas estão perdendo a credibilidade no seio social, sobretudo pela forma parcial pela qual boa parte da mídia comercial serve aos interesses dominantes. Assim, a questão não é apenas pautar o acontecimento/fato, mas a forma como é pautada essa ou aquela notícia, os contornos discursivos onde se revela os posicionamentos ideológicos/políticos.
    A partir de uma abordagem linguística, é possível estudar e revelar o funcionamento discursivo dos atores radiofônicos bem como do discurso político na esfera municipal. Segundo Dijk (2008, p. 87) "uma das tarefas mais cruciais da análise crítica do discurso é explicar as relações entre o discurso e o poder social, mais especificamente, como o abuso de poder é praticado, reproduzido e legitimado pelo texto e pela fala de grupos ou instituições dominantes". Deste modo, uma das ferramentas primordiais neste tipo de manipulação, certamente é a mídia de massa tradicional, estes mecanismos penetram em todas as camadas sociais desempenhando um papel decisivo na formatação da opinião pública. Contudo, ele não é soberano, o advento de novas tecnologias a exemplo das redes sociais, blogs, Podcasts têm sido um contraponto importante na propagação de contra-discursos no contexto das disputas que giram em torno das administrações públicas.
    Por fim, sabemos da importância do bom jornalismo em prol da democracia e do bem comum, entretanto, quando os dispositivos de comunicação são gerenciados pelo capital privado, os objetivos comuns passam a ser substituídos pelos interesses de pequenos grupos sociais que detêm o capital e disputam o Poder, esta constatação, é facilmente verificada pelos sintomas atuais de parte da comunicação radiofônica local.  O jogo das pautas somado ao tom político pelo qual notícia é levada ao ar, exibe, materialmente, o quanto alguns veículos se tornaram torcidas organizadas, tais condutas eram bastante ofuscadas durante as gestões passadas.
    Em conclusão, Charaudeau (2016) afirma que o manipulador não revela sua intenção ou seu projeto, e o disfarça sob um discurso contrário ou sob outro projeto apresentado como favorável ao manipulado.  

Saudações democráticas, 

Dayvid Sena. 
     
       
     

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

OBRAS ESTRUTURANTES MELHORAM O TRÂNSITO E A VIDA DAS PESSOAS EM JACOBINA

 



Após 10 meses de gestão municipal liderada pelo prefeito Tiago Dias e a instalação de uma usina de asfalto no município de Jacobina têm levado obras que repercutem em grande melhoria do  piso da cidade. Muitas ruas que não foram preparadas para receber o tráfego pesado e intenso de veículos, fato que passou a existir após uma mudança  realizada no fluxo do trânsito central desde o ano de 2012, quando passou a surgir vários problemas para o piso da cidade, ou seja, surgimento de buracos e afundamento de paralelos, haja vista que ruas antes não eram movimentadas e passaram a receber uma alta intensidade de veículos sem o devido estudo prévio.


Neste sentido,  a gestão recém empossada tem realizado intervenções significativas na requalificação destas artérias  e vias transversais essenciais para o fluxo de cargas e mercadorias no centro da cidade, inclusive avançando em locais que ultimamente não se imaginava a chegada de uma pavimentação asfáltica, como no caso de distritos da zona rural e pátios de instituições públicas.  


Os impactos positivos destas ações já podem ser observados tanto pelos transeuntes quanto pelos reflexos na mídia local, as rádios que gastavam boa parte de suas pautas recebendo reclamações de ouvintes acerca da situação dos buracos na cidade, agora observa que essa realidade aos poucos está sendo silenciada pelos bons ventos que ora melhoram a infraestrutura básica de nossa cidade. Diga-se de passagem, desde 1988 nenhuma gestão ousou a fazer o óbvio no quesito de qualificação para as ruas de Jacobina.

Em contrapartida, é de grande importância que as secretarias do Meio Ambiente e Obras observem os devidos estudos de impactos ambientais, estéticos estruturais quando o assunto for a levada de massa asfáltica para locais que possuem nascentes e afluentes de rios, pois a chegada deste tipo de inovação, podem gerar resultados negativos e irreversíveis para o ecossistema do lugar. Vale ressaltar que, isso vale tanto para as iniciativas do ente público quanto para as de natureza privada, sem esse cuidado técnico, alguns mananciais e zonas de turismo/lazer podem ser afetados por iniciativas não sustentáveis que provocam destruição e especulação imobiliária, como o caso de alguns distritos os quais já estão sofrendo com intervenções ou omissões que no passado, eram realizadas sobre o pretexto de desenvolvimento do turismo e fortalecimento da economia, mas  atualmente, a realidade é falta de água, poluição sonora e ameça aos seus mananciais. 

Por fim, a população de Jacobina almeja que possamos de fato ter, no quesito pavimentação, a qualificação dos espaços públicos da cidade, seja na sede ou nos distritos, pois, a maioria dos eleitores de Jacobina, cansados de tanto descaso e mau uso dos recursos públicos, apostaram suas fichas numa proposta política diferente e comprometida com os anseios sociais não atendidos pelas gestões anteriores. Logo, o momento atual proporciona uma oportunidade histórica de fazer o que precisa ser feito nos moldes do LIMPE - Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. 

Saudações Democráticas,


   

          

    

sexta-feira, 23 de julho de 2021

JACOBINA E OS 141 ANOS DE “EMANCIPAÇÃO POLÍTICA”.

Foto: www.google.images


A cidade é imediatamente, de fato, a concentração da população, dos instrumentos de produção, do capital, dos prazeres, das necessidades, ao passo que o campo torna patente precisamente a realidade oposta, o isolamento e a solidão” 
(A ideologia alemã, 2009).

        Resolvemos escrever essa breve reflexão para ponderar acerca das coisas que envolvem a chamada “emancipação de um cidade” e os respectivos interesses e representações que os grupos sociais fazem sobre esta condição.

        No texto anterior, publicado no site Observatório de Jacobina, levantamos algumas considerações sobre a ruptura histórica que envolvia o processo político eleitoral no ano de 2020, naquele episódio, fizemos uma leitura dentro dos grupos políticos hegemônicos denominados Jacús e Carcarás. Deste modo, queremos retomar algumas coisas importantes que foram pontuadas de forma subjacente naquele texto.

        Em primeiro lugar, o principal traço que mobiliza os meios de comunicação e seus atores a promoverem sentimentos de orgulho e autonomia em relação à cidade, reside na condição de autonomia (administrativa, financeira e política) atribuições que foram conferidas a partir de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, ou seja, todas as cidades passaram a gozar de recursos próprios em seus cofres, isto é, autonomia para gerir estes recursos mediante aprovação eleitoral.

        É neste contexto que a emancipação municipal desencadeou uma corrida desenfreada pelo poder e o acesso ao que denominamos “a chave do cofre”. Do ponto de vista prático, a comemoração da emancipação de uma cidade só interessa materialmente aos grupos que desde 1988 controlam e conquistam o poder em diversas cidades do interior da Bahia. Na prática, o que muda são as narrativas, muito pouco no formato de gerir as cidades foi modificado, em grande parte, as práticas refletem o cenário do período que antecedeu a redemocratização do país, os antigos coronéis representados por suas famílias e empresas, migram a seu bel prazer de uma esfera política para outra, mantendo sua hegemonia sobre as administrações e controle “material e espiritual¹” das cidades.

        Portanto, quando somos convidados a entrar na atmosfera de comemoração emancipatória, precisamos refletir sobre quais elementos caminham pelo pano de fundo desta tal “emancipação”. Em segundo lugar, precisamos entender que tipo de benesses materiais a sociedade em sua maioria, tem recebido nestes supostos 141 anos de emancipação. Vejam bem, trata-se praticamente um século e meio de “emancipação” e quais são as verdadeiras conquistas que a comunidade jacobinense e região tem recebido para se sentirem na obrigação de comemorar? Ao que parece, nossa cidade, possui belos castelos erguidos em sua sede, muitos deles para serem alugados às custas de recursos públicos, inclusive, em alguns casos, estes bens levantam uma série de dúvidas sobre a sua condição particular ou pública, no que tange aos meios de sua gênese. Além disso, a cidade possui o título de “cidade mãe” cidade polo, cidade do ouro, esses atributos ao longo de quase dois séculos conseguiram tornar nossa cidade de fato emancipada, humanizada, menos desigual? As estruturas físicas de escolas, creches, hospitais, feiras livres, praças, estradas (rurais e urbanas) dentre outras questões básicas refletem a tal emancipação? Até que ponto as riquezas de nosso município são transformadas em benefícios reais e concretos para os seus munícipes? Quem souber responder, ganha um “chocolate copenhagen”.

        É importante lembrar que independente de sua reposta ser positiva ou negativa, a verdadeira emancipação e libertação de uma cidade não se dá por meio de heróis, mitos, personagens ou discursos moralistas, esses só servem para esconder o verdadeiro desejo que move boa parte dos atores políticos sociais: o Poder. De um lado, o que de fato pode libertar e emancipar uma cidade é o sentimento de comunidade, de pertencimento e respeito pela coisa pública, por outro lado, uma auto fiscalização cidadã, o fortalecimento de conselhos, associações e cooperativas não submissas aos eventuais caprichos pessoais de seus líderes, mas organizadas em torno de demandas coletivas, verdadeiramente isonômicas. Aparentemente, num exame material e espiritual objetivo do contexto jacobinense, facilmente percebemos que estamos um tanto longe de conquistar esta dita emancipação, entretanto, a mobilização e o engajamento atrelado ao uso das ferramentas virtuais e físicas, podem auxiliar na superação destes dilemas.

        Por fim, acreditamos que seja de grande importância incitar festejos e entretenimento pela passagem de datas comemorativas, contudo, é essencial estarmos alertas acerca da impressão que se constrói em torno das emancipações das cidades. Junto a tais festejos, almejamos também a construção de fóruns, debates, exposições artísticas, peças teatrais, dentre outras linguagens que permitam outras compreensões e sentidos sobre a emancipação de uma cidade e seu povo, em outras palavras, a construção de momentos de reflexão coletiva e interações transparentes sobre o verdadeiro conceito de emancipação e quais caminhos se deve trilhar para que as gerações futuras possam, um dia, viver uma emancipação concreta em sua cidade.

        Dito isso, a verdadeira emancipação somente pode ser concretizada, no dia que a maioria dos cidadãos compreenderem que a “chave do cofre” é de responsabilidade de todos e todas, logo, através de um movimento amplo de consciência coletiva, buscar meios de emancipação política da Jacobina e dos seus integrantes, num movimento que envolva o aniquilamento de paixões historicamente materializadas em prol de pequenos grupos emancipados. A partir deste dia, podemos dizer que vivemos e temos uma cidade EMANCIPADA.

Saudações Democrática, Dayvid Sena.




1 A referência ao termo material e espiritual se fundamenta na premissa desenvolvida por Marx e Engels (2009) no livro a Ideologia Alemã, onde os mesmos afirmaram que a classe que detêm os bens materiais (empresários, industriais, coronéis, clérigos religiosos) ou seja, a classe dominante, teria ao mesmo tempo o poder espiritual. Aqui a palavra Espiritual não carrega o sentido cristão, mas o conceito de saber, conhecimento, informações que seria dominantes sobre a sociedade, em nosso caso, sobre a cidade e seus atores.


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A Virada Política de Jacobina e a estruturação de um Governo Híbrido.




É verdade que o povo jacobinense se surpreendeu com a chegada de uma liderança política jovem e estranha aos coronéis políticos locais, um ícone que construiu sua trajetória a partir da organização de associativismo rural, trabalho que lhe rendeu dois mandatos de vereador e o recém iniciado mandato de prefeito na cidade de Jacobina.

Entretanto, a coesão vitoriosa desta façanha não seria possível sem articulação de atores políticos de vários partidos e grupos sociais distintos, todos envolvidos por uma narrativa discursiva de confronto às práticas viciadas decorrentes do sistema político hegemônico. Neste sentido, o candidato pleiteante ao cargo de prefeito encampou uma série de discursos que ecoaram no imaginário social de modo  persuasivo a maioria dos eleitores. Todavia, o sentimento de mudança nos rumos políticos de Jacobina também era um reflexo sintomático do cenário politico nacional, fato que foi bem aproveitado pelo grupo que orbitou a candidatura.

A caminhada política de Tiago Dias, agora prefeito, reflete uma postura de enfrentamento ao modelo de gestão pública instalado na maioria dos sertões nordestinos, onde uma figura populista, geralmente oriunda de família abastada, exercia o Poder com o apoio de um pequeno grupo que lhe prestou apoio financeiro para alçar o Poder. Desta forma, o prefeito Tiago Dias (PCdoB), até o dia da posse, conseguiu manter um formato historicamente distinto do que acabamos de citar. Decorrido o prazo de diplomação e assunção do cargo, inicia-se a composição de um novo governo, ao que parece, o foco na campanha eleitoral e sua operacionalização deixou algumas lacunas nos critérios que seriam seguidos num eventual resultado eleitoral vitoriosos, sobretudo por ser fruto de uma coligação formada por aproximadamente 9 legendas, destas, 5 com comissões diretivas ativas. Por este viés, o governo “Dias Melhores” teve seu início priorizando as composição dos cargos de secretariado onde o PP teve 2 cargos, 2 do Podemos, 1 do PSB, 1 do PL sendo os demais escolhidos dentro da alçada pessoal do prefeito eleito.

Um fato interessante neste contexto decorre da delegação para escolha de 2 secretários pelos segmentos sindicais da APLB e da CDL respectivamente defensores dos interesses dos docentes e dirigentes lojistas da cidade. Numa breve análise à luz do referencial teórico de Maingueneau que versa sobre o “Ethos Discursivo” ou seja, a imagem que o prefeito buscou passar com esse ato de delegação para as entidades sindicais foi de que seu governo teria espaço para uma participação democrática extrapartidária, ainda que estas instituições tivessem distintos posicionamentos políticos ideológicos, inclusive contraditórios quanto aos assuntos políticos de seu espectro originário. Por conseguinte, ressaltamos que trata-se da formação de um governo híbrido, exceto as nomeações que foram decorrentes da indicação sindical (Patronato e Professores), as demais nomeações foram ocorrendo em sua maioria por encaminhamentos pessoais de agentes políticos que controlavam os supracitados partidos, grande parte sem debates coletivos ou deliberações intra-partidária ampla e democráticas, talvez por isso, colheu-se resultados adversos como no caso da disputa pela presidência do Legislativo Municipal, estes fatos devem ser examinados pois temos uma tarefa histórica e não devemos comungar com um eventual governo baseado no “toma lá da cá”.

Portanto, surgem alguns questionamentos: Até que ponto um governo híbrido sem um programa comum ( Elaborado, Conhecido e Integrado por todas pastas da máquina pública) que defenda as pessoas e os trabalhadores (as) em risco social, uma agenda que de fato seja fruto de deliberações coletivas da sociedade, partidos e instituições que emergem dela, contemplando o que o candidato chamava de transparência e participação popular, pode se fortalecer para além da virtualização em redes sociais? Qual é a expectativa do governo sobre a conduta operacional da administração pública no que tange ao combate dos vícios enraizados historicamente no fazer administrativo da maioria das cidades? O ato recentemente publicado para contratação (inexigibilidade licitatória) de “advogados” é um ato legal, entretanto pode dar motivos para outras interpretações, concordam? Teriam essas evidências alguma semelhança com os modelos coronelista anteriores? Seria o aumento compulsório da TIP (Taxa de Iluminação Pública) um exemplo significativo de que agora “somos o Estado”? “Somos” mesmo, porém que sejamos um Estado mais humano e consideremos as circunstâncias da população em sua maioria, essa é a nossa singela expectativa. Sabe-se que os sinais dados pelas urnas de Jacobina exige uma compreensão ampla, sob pena de se manter os mesmos problemas alimentados nos últimos 30 anos, sendo que desta vez, não podemos maquiar com marketing, paixões ou idolatrias, deixemos isso de lado e façamos uma gestão qualitativa do erário.

Em conclusão, nossas inquietações são fruto de um olhar cidadão que percebe de forma desapegada e crítica o momento histórico que conquistamos, pois, não desejamos que os interesses individuais de figuras orbitantes do Poder possam atrapalhar as expectativas de uma sociedade que vive há mais de trinta anos num dualismo político vazio e talvez responsável, em parte, pelos mais perversos prejuízos econômicos, histórico-culturais e estruturais para nossa cidade, um pequeno recorte desta constatação, é o fato dos últimos 12 anos as pautas das rádios girarem em torno de “buracos na rua” e “lâmpadas em postes” dentre outra demandas elementares para uma cidade do porte de nossa querida Jacobina. Precisamos avançar, cabe a cada um de nós construir Dias Melhores de Verdade !!!

Saudações Democráticas,

Dayvid Sena

Vice-Presidente do PCdoB Eleito - Filiado desde 2004

domingo, 15 de novembro de 2020

A Morte dos Jacús e Carcarás - Uma Síntese da História Política de Jacobina.


Se você não for jacobinense pode está pensando que o título deste artigo versa sobre alguma ave exótica ou em extinção, entretanto, o quê iremos tratar aqui, aponta para o modo bipolarizado de fazer politica e ocupar o poder na cidade de Jacobina. Assim como muitos municípios baianos, o seu povo fora subjetivado pelo fantasma do Coronelismo durante décadas, contudo, esta arquitetura de poder, parece ter sofrido um deslocamento a partir do pleito eleitoral de 2020, pelo menos é o que pretendemos mostrar de forma metódica e linear neste texto. 

No que tange aos aspectos históricos, Jacobina se tornou vila em 1722 vindo a ser cidade através da Lei Provincial nº 2049 de 1880, porém desde os início do século XX a cidade era conhecida pela influência e controle político exercido através do Coronel Francisco Rocha Pires, popularmente chamado de Chico Rocha. Somente por volta dos anos 70  houve a primeira ruptura contra a hegemonia de Chico Rocha, naquela época, um primo seu, o médico Fernando Daltro, ousou a desafiá-lo e concorreu ao cargo de prefeito, conseguindo vencer o conhecido e influente Coronel que reinava há quase 50 anos, nascia ali um novo grupo político denominado de Carcarás.

Sob a influência do grupo político dos Carcarás, a hegemonia política em Jacobina foi exercida por muito tempo, com poucas alternâncias, geralmente entre candidatos dos mesmo campo político. Ademais, após o fim da Ditadura Militar e a promulgação da Constituição de 1988 outros fenômenos políticos ocorreram na região, a emancipação de municípios e o advento de partidos políticos para a disputa democrática. Neste sentido, o grupo político que ora chamava-se Carcarás passou a ocupar espaços dentro do PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro e os demais atores ainda sob influência do legado político de Chico Rocha, organizaram suas fileiras na agremiação PFL - Partido da Frente Liberal contribuindo assim para a eclosão do grupo político que iria ser conhecido como os Jacús.

O estabelecimento dos Jacús e Carcarás em Jacobina se manteve por quase meio século, as estruturas de poder consolidadas por estes grupos se compuseram em sua maioria por médicos e agentes de seus hospitais, a prestação de serviço de saúde e o carisma de alguns destes profissionais da medicina/política fizeram com que os "doutores" representantes dos Jacús e dos Carcarás, comandassem o poder político desde os anos 80 até 2012 quando emergiu a primeira chapa com chances de peitar o reinado das "Aves". Um ponto importante que devemos observar, reside no modo como as classes que historicamente são mais valorizadas, refletem no imaginário social algum tipo de superioridade, conseguem se organizar para manter subjetivamente o exercício do poder, construindo durante todos esses anos uma espécie de dinastia onde o poder alternava somente entre os membros daqueles clubes ou grupos hegemônicos. Outro ponto marcante, aponta para a estrutura de 2 (dois) hospitais revestidos de natureza Fundacional, ou seja, sem fins lucrativos, serviam de plataforma para eleger os eventuais candidatos, salvo engano, nos últimos 30 anos os prefeitos eram oriundos destes nosocômios, seja como médico ou alguma atividade ligada à área da saúde dos supracitados hospitais.

Por outro lado, com advento da constituição de 1988, os municípios passaram a ter autonomia financeira e administrativa, recebendo diretamente em seus cofres recursos federais e estaduais referentes à partilha federativa - FPM, repasses estes que desde os anos 80 têm aumentado compulsoriamente. Neste sentido, a disputa das eleições no contexto municipal reflete não somente uma disputa democrática pelo interesse público mas uma forma de ter o controle da "chave do cofre" uma máquina de dinheiro, na qual a cada 4 (quatro) anos de mandato passa quase um bilhão de reais. É neste cenário, que os Jacús e Carcarás fincam-se no Poder Executivo em caráter longevo, sem ter preocupações com eventuais opositores, pois em Jacobina, até então, não se conhecia nenhuma forma de governo que estivesse fora do espectro dicotômico Jacús x Carcarás.

Após a chegada das forças progressistas conduzidas por Lula ao poder, uma série de políticas públicas foram desencadeadas repercutindo no fortalecimento da agricultura familiar, energia elétrica para lugares periféricos, fortalecimento dos conselho municipais, associativismo dentre outras ações que auxiliaram no surgimento de lideranças pelos rincões do Brasil. Nesta seara, um jovem, filho de agricultor familiar, encorajado a buscar soluções para os problemas que afetavam as comunidades rurais, se torna presidente de uma associação na região de Cachoeira dos Alves, a partir daquele instante, se iniciava uma saga responsável pela reconfiguração dos centros de poder na história de Jacobina, aquela associação outorgou suas demandas e anseios para um rapaz que  atendia pelo nome de Tiago Dias.

Os Carcarás e Jacús sempre obtiveram êxito em projetar uma imagem de rivalidade e diferença dentro do arcabouço político de cada um deles, porém, sempre estiveram numa mesma dimensão de poder, o poder das classes dominantes. Foram algumas décadas de dominação e alternância do poder político canalizado para estes dois grupos de "farinha do mesmo saco". Contanto, a entrada no século XXI, fez emergir outros grupos políticos descolados, ainda que parcialmente, da estrutura de poder dualista dos Carcarás e Jacús.

No ano de 2012, um jacobinense vigoroso e combativo colaborou com a organização de lideranças e partidos que viriam ameaçar pela primeira vez os grupos dominantes, Amaury Teixeira era o nome dele, participou de 2 eleições subsequentes reunindo uma quantidade massiva de votos e contribuindo para a eclosão de novos ícones políticos. Durante aquele movimento de reorganização das forças políticas locais, Amaury concorreu pelo PT e teve seu vice José Amin Hassan indicado pelo PCdoB. Naquele contexto, durante um comício realizado na Cachoeira do Alves, Amaury percebeu e apoiou uma jovem liderança que havia recentemente adentrado nas fileiras do Partido Comunista do Brasil, a partir daquele momento, o potencial da incipiente liderança do campo iria mudar a história dos rumos políticos de Jacobina.

Conforme supracitado, após exercer seu mandato na Associação de Cachoeira dos Alves, o rapaz, Tiago Dias, percebe a necessidade de fortalecer o trabalho das associações e funda com alguns colaboradores a UARJA -  decide filiar-se ao PCdoB, inicialmente recepcionado por Carlinhos da Caixa, recebeu as boas vindas e teve garantia de concorrer às eleições de 2012. Finalizada as eleições daquele pleito, Carlinhos e Tiago são eleitos ao Poder Legislativo, este como o segundo vereador mais votado do município. Ainda "verde" nos trâmites do legislativo, recebeu apoio do experiente Carlinhos da Caixa e do corpo diretivo do diretório municipal.

Quatro anos mais tarde, no pleito de 2016, o PCdoB teve 1.753 votos com Zé Amin representando o partido ao Executivo, mas o então vereador (Tiago Dias), mais maduro e consciente do processo político, decide concorrer a Reeleição, naquele momento já não fazia parte do PCdoB, pois por influência de seu padrinho político (Amaury Teixeira - PT) migrou para o PROS, onde voltaria a fazer história,  quando se tornou o vereador mais votado de Jacobina com 1.262 votos, deixando vários candidatos da velha política no vácuo. Aquele resultado simbolizaria uma mudança de paradigma no posicionamento de parte da sociedade jacobinense, Tiago se estabeleceria como uma liderança enigmática, um jovem humilde, oriundo da zona rural, começava a desbancar velhos fazendeiros em seus feudos eleitorais.

Nos meados do ano de 2017, Tiago Dias decide retornar ao seu partido de origem - PCdoB -  onde foi recebido com generosidade pelos seus camaradas. A proximidade das eleições estaduais e a necessidade de garantir espaço político, fez com que o diretório municipal busca-se apoio junto ao Deputado Daniel Almeida para lança-lo pré-candidato a Deputado Estadual, assim o vereador e suas bases iniciam uma robusta caminhada rumo à disputa estadual. Em 2018, após uma campanha marcada pela dedicação e modéstia do jovem camponês, Tiago alcança 14.921 votos, configurando a maior votação nos últimos 30 anos registradas no contexto de eleições estaduais na cidade.

Mas foi em 2020 que ocorreria a mais ousada guinada política de Jacobina, num cenário onde 3 candidaturas foram apresentadas para o Executivo Municipal, uma tendo na "cabeça" Mariana Oliveira, apoiada pelo Amaury Teixeira, ex-deputado federal e o candidato a prefeito mais votado na oposição aos Carcarás e Jacús, respectivamente em 2012 e 2016. Do outro lado, o atual prefeito do DEM, Luciano Pinheiro, representando o espectro político dos Jacús uma vez que era apoiado pelo Dr. Leopoldo, herdeiro e quadro remanescente do antigo PFL, exerceu o mandato de prefeito por duas vezes; além dele, outro velho conhecido da paróquia de Santo Antonio, Dr. Rui Macedo prefeito por duas vezes e herdeiro político de Carlito Daltro um Carcará original também fazia parte da base de apoio da chapa do DEM. Por fim, Tiago Dias, vereador por dois mandatos, suplente de Deputado Estadual e pleiteante pela primeira vez a cadeira de prefeito de Jacobina apoiado por vários segmentos sociais, inclusive pelo ex-prefeito Dr. Flavinho, Dr. Tuka e Manuela ( ex-vereadora pelo PCdoB em 2004 e candidata a Deputada estadual com 5.098 votos em 2006), respectivamente filho e neta, ambos da Família de outro ex-prefeito Dr. Manoel Ignácio Brandão Paes, médico-cirurgião com grandes serviços prestados em Jacobina e região.

Pois bem, a partir desta configuração, Tiago Dias foi eleito o primeiro prefeito negro e camponês de Jacobina - Bahia - Brasil com 19.207 votos, deste modo,  no dia quinze de novembro de 2020, precisamente às 21:27hs ocorreu, talvez, o fim da mais longa história de perpetuação de poder político em uma cidade de médio porte. O cortejo durou décadas, mas foi exatamente hoje, o sepultamento de Jacús e Carcarás numa cova comum, todavia não esqueçamos que a sociedade é Cristã e pode ressuscitar defuntos.

Este texto é dedicado à vitória soberana do povo e à memória funerária da velha política representada por Jacús e Carcarás.

Saudações Democráticas!!!

Dayvid Sena. 


 

terça-feira, 24 de abril de 2018

Impressa e Poder - Conferência na USP

 Resultado de imagem para imprensa e poder
 

No dia 25 de abril, às 9h30, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP realiza a conferência Imprensa e Poder: Do Caso Dreyfus aos Conglomerados Midiáticos, com a presença do historiador Jean-Yves Mollier, professor da Universidade de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines, na França. Trata-se de um evento que visa a discutir as relações entre a imprensa e os poderes político e financeiro franceses, bem como as mudanças ocorridas na imprensa daquele país, a partir do nascimento de conglomerados da mídia.
Mollier vai abordar casos emblemáticos que envolveram relações entre imprensa e poder na França, como “o escândalo dos ‘empréstimos russos’, revelado em 1918, no qual a França enviou secretamente somas vultosas em apoio à manutenção do Império Russo”, o Caso Hanau, de 1928, “também conhecido como ‘escândalo da banqueira’, sobre o envolvimento de uma importante magnata da imprensa com jogatinas financeiras e a formação de cartéis” e o Caso Stavisky, de 1934, “que culminou em uma profunda crise político-econômica, em meio a escândalos no alto escalão da política e o assassinato misterioso do escroque Alexandre Stavisky, ‘o belo Sacha’”. A informação é da professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e colunista da Rádio USP Marisa Midori, que será a mediadora da conferência, em entrevista ao jornalista Mauro Belesa, do IEA.

Grifo nosso: Pode-se perceber que os relatos do estudioso francês têm muita coisa em comum com o que o país tem vivido nos últimos anos, sem a influência da imprensa e do monopolio da mesma o cenário seria mais equilibrado e menos vulnerável.

Fonte: jornalggn.com.br

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O Rádio Jacobinense e as mudanças que nada mudam!!!

Assim como na grande mídia televisiva, as empresas de radiodifusão são responsáveis pelo processamento das manchetes e entrega de leituras carregadas de posicionamento político para os ouvintes. Em Jacobina, assim como no Brasil,  gerenciar uma concessão de rádio envolve muita articulação política e jogo de cintura, pois na maior parte, as rádios estão sob o comando de autoridades políticas que repassam o gerenciamento administrativo para pessoas próximas que possuem afinidade política, afinal todos lembram de quando o finado ACM foi ministro das Comunicações onde operou um quantitativo de concessões massivo que foram disponiblizadas na Bahia e no Brasil. A operação e processamento da notícia "imparcial" nas maioria das cidades do interior baiano ocorre por estas rádios concedidas neste contexto "isento". Por outro lado, alguns âncoras destas rádios possuem um longo histórico de alternância de microfones e de posicionamentos editoriais, geralmente estes posicionamentos orbitam em torno de um famoso contrato do erário municipal, é como um passe de mágica, parceria realizada os problemas da comunidade parecem desaparecer, o poste sem luz, os buracos nas ruas, os esgotos estourados, os supostos desvios de conduta , os superfaturamento etc...parecem que não existem, e quando existem o tom de voz é bem tolerante e manso, entretanto, quando a tal parceria em nome da "imparcialidade" não é exitosa, os microfones cospem fogo, em alguns casos sequer buscam investigar os fatos mas de pronto já realizam julgamentos sem direito a recurso, em outros casos, mudam de rádio e até mesmo "migram" a outros países para fazer "cursos no exterior" pasmem, nestas ondas de rádio têm microfone pra todo o tipo de négocio, de cargos na estrutura do executivo à compromissos de fazer propagandas em programa A ou B, o microfone que faz propaganda para os velhinhos tomarem empréstimos nas Financeiras, é o mesmo que crítica o governo por oferecer crédito e acesso ao consumo, deste modo, no dia do Jornalista, onde jornalismo significa a busca da verdade, o que menos temos na praça é esta conduta compromissada com a verdade, infelizmente temos pouco a comemorar embora alguns resistentes ainda façam jus ao jornalismo responsável. Portanto, termino desejando um feliz dia do Jornalista com a frase de quem foi um dos maiores inovadores na cena jornalística Mundial. Cada qual com sua carapuça !!!

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma"

“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma de um jornal residem em seu senso moral, sua coragem, sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua disposição em servir à sociedade.”

Joseph Pulitzer