quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O GOLPE DO GILMAR "DANTAS" MENDES...

Armado por Toffoli e Gilmar, já está em curso o golpe sem impeachment

Gilar e Toffoli planejam golpe do impeachment
Atualizado às 09:50
O processo de impeachment exige aprovação de 2/3 do COngresso. Já a rejeição das contas impede a diplomação. A decisão fica com o Judiciário. Este é o golpe paraguaio.
Já entrou em operação o golpe sem impeachment, articulado pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antonio Dias Toffoli em conluio com seu colega Gilmar Mendes. O desfecho será daqui a algumas semanas.
As etapas do golpe são as seguintes:
1. Na quinta-feira passada, dia 13, encerrou o mandato do Ministro Henrique Neves no TSE. Os ministros podem ser reconduzidos uma vez ao cargo. Presidente do TSE, Toffoli encaminhou uma lista tríplice à presidente Dilma Rousseff. Toffoli esperava que Neves fosse reconduzido ao cargo (http://tinyurl.com/pxpzg5y).
2. Dilma estava fora do país e a recondução não foi automática. Descontente com a não nomeação, 14 horas depois do vencimento do mandato de Neves, Toffoli redistribuiu seus processos. Dentre milhares de processos, os dois principais - referentes às contas de campanha de Dilma - foram distribuídos para Gilmar Mendes. Foi o primeiro cheiro de golpe. Entre 7 juízes do TSE, a probabilidade dos dois principais processos de Neves caírem com Gilmar é de 2 para 100. Há todos os sinais de um arranjo montado por Toffoli.
3. O Ministério Público Eleitoral, através do Procurador Eugênio Aragão, pronunciou-se contrário à redistribuição. Aragão invocou o artigo 16, parágrafo 8o do Regimento Interno do TSE, que determina que, em caso de vacância do Ministro efetivo, o encaminhamento dos processos será para o Ministro substituto da mesma classe. O prazo final para a prestação de contas será em 25 de novembro, havendo tempo para a indicação do substituto - que poderá ser o próprio Neves. Logo, “carece a decisão ora impugnada do requisito de urgência”.
4. Gilmar alegou que já se passavam trinta dias do final do mandato de Neves. Na verdade, Toffoli redistribuiu os processos apenas 14 horas depois de vencer o mandato.
5. A reação de Gilmar foi determinar que sua assessoria examine as contas do TSE e informe as diligências já requeridas nas ações de prestação de contas. Tudo isso para dificultar o pedido de redistribuição feito por Aragão.
Com o poder de investigar as contas, Gilmar poderá se aferrar a qualquer detalhe para impugná-las. Impugnando-as, não haverá diplomação de Dilma no dia 18 de dezembro.
O golpe final - já planejado - consistirá em trabalhar um curioso conceito de Caixa 1. Gilmar alegará que algum financiamento oficial de campanha, isto é Caixa 1, tem alguma relação com os recursos denunciados pela Operação Lava Jato. Aproveitará o enorme alarido em torno da Operação para consumar o golpe.
Toffoli foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Lula. Até o episódio atual, arriscava-se a passar para a história como um dos mais despreparados Ministros do STF.
Com a operação em curso, arrisca a entrar para a história de maneira mais depreciativa ainda. A história o colocará em uma galeria ao lado de notórios similares, como o Cabo Anselmo e Joaquim Silvério dos Reis.
Ontem, em jantar em homenagem ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o ex-governador paulista Cláudio Lembo se dizia espantado com um discurso de Toffoli, durante o dia, no qual fizera elogios ao golpe de 64.
Se houver alguma ilegalidade na prestação de contas, que se cumpra a lei. A questão é que a operação armada por Toffoli e Gilmar está eivada de ilicitudes: é golpe.
Se não houver uma reação firme das cabeças legalistas do país, o golpe se consumará nas próximas semanas.

FONTE:  http://jornalggn.com.br/luisnassif


sábado, 18 de outubro de 2014

De Vargas a Lula. Por Celso Furtado


Post-scriptum


Este artigo foi publicado em 23 de novembro de 2004, poucos dias após a morte de Celso Furtado. Além de homenagear esse grande brasileiro, esse artigo buscou representar a grande esperança que significou a eleição do Lula para a grande obra de construção de nossa Nação. Hoje vemos que Celso Furtado previu corretamente o que aconteceria nos governos do PT.



Introdução


A morte do professor Celso Furtado simbolizou o fim de uma era do desenvolvimento. Uma era que ele soube traduzir como ninguém. Somos de uma geração, formada nos anos 90, que via a desigualdade e a pobreza como fatalidade. Não era assim que Celso Furtado via. Aliás, ele e sua geração de intelectuais desenvolvimentistas não apenas viam, eles eram importantes agentes políticos. Devemos a eles parte de nossa prosperidade e dos serviços públicos que ainda nos restam, principalmente nós que nascemos na chamada classe média.


O Velho Desenvolvimentismo e o povo


Nasci em 1975, sou filho do milagre. Por favor, não me confundam com “filhote da ditadura”, como Brizola genialmente batizou um de nossos ex-presidentes. Sou filho do milagre, pois, como disse meu avô certa vez para minha mãe: “vocês terão uma vida melhor que a nossa e seus filhos terão uma vida melhor do que a suas”. Essa era a mais pura "verdade". Meus avós iam à escola descalços, estudaram, mas nenhum deles fez curso superior. Lutaram e construíram famílias numerosas, respectivamente 8 e 9 filhos, bem típico dos anos 40 e 50.

Meus pais nasceram nos anos 40. Mais ou menos à época em que Celso Furtado escreveu seu primeiro livro ‘Contos da vida expedicionária – de Nápoles a Paris’ e sua tese de doutorado L’economie coloniale bresilienne.

A vida era muito difícil, raramente comemorava-se o aniversário dos filhos como é feito hoje. Certa vez, ouvi essa história: minha tia, estimulada pela convivência de amigas mais abastadas, encasquetou que minha vó tinha que lhe dar um presente de aniversário. De tanto insistir, minha avó tirou do dinheiro reservado para o feijão um montante para satisfazer o luxo da filha. O dinheiro ia fazer falta, mas valeu à pena, pois ela ficou radiante em ganhar um pequeno saco de biscoito cream cracker. Esse “luxo”, para uma família operária de 9 filhos, só foi possível graças à prosperidade econômica e à mudança cultural dos anos 50. Na família de camponeses de onde veio minha avó, esse capricho, seria motivo para uma boa bronca.

Nos anos 50, as famílias que emigraram para as cidades, se inseriram no mercado de consumo e sofreram salto no padrão de vida e cultural. As crianças passaram a ter escola, todos se alfabetizaram e conheceram o mundo através da leitura e dos meios de comunicação.


Furtado e o desenvolvimentismo


A prosperidade econômica e o otimismo foram particularmente fortes no governo JK, cuja política econômica foi baseada no planejamento do plano de metas cuja metodologia e idealização se baseou na iniciativa e nos estudos recém criados por Celso Furtado no BNDE e na CEPAL durante o governo democrático de Getúlio Vargas.

No governo JK, Furtado criou ainda a SUDENE com o objetivo de tirar o nordeste do atraso econômico e social. A esperança e a fé no futuro àquela época pode ser percebida pelo livro 10º livro de economia política de Celso Furtado: ‘A pré-revolução brasileira’.


O desafio intransponível da desigualdade


Furtado sempre teve grande preocupação com a má distribuição de renda no Brasil, como se pode depreender de seu 12º livro: ‘Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina’. No Brasil vivemos uma espécie de sistema de castas, apesar de não tão rígido como na Índia. Existem os empregos de classe alta, os empregos de classe média, os empregos da classe operária e os subempregos dos marginalizados. As diferenças de remuneração entre essas "castas" é talvez a maior do mundo, e certamente muito maior do que na Índia.

Entre classe alta e média há alguma mobilidade, assim como entre classe operária e os marginalizados, mas entre a classe operária e a classe média, a mobilidade era limitada. Se o cidadão não encontrar a chave para essa mobilidade terá que se contentar com a indecente diferença salarial que existia entre um médico estabelecido e um profissional qualificado como um carpinteiro, ou, pior, entre um dentista e um profissional desqualificado como um funcionário de comércio popular. A chave do portão que divide essas classes se chama universidade ou pequena empresa bem sucedida. Eventualmente podemos dizer que existem outras chaves como o político, o artista ou o esportista bem sucedido, mas essas são ainda mais difíceis.

Para os liberais, o desempregado é um vagabundo e o pobre não se esforça o suficiente para sair de sua situação. Mas isso não é uma verdade, pois a ascensão social é um rígido funil. Por mais que lutem, as vagas para o outro lado não aumentam significativamente por iniciativa própria. Pode-se passar no vestibular por mérito próprio, mas nem todo mundo pode ter “mérito próprio” suficiente, pois o número de vagas não aumenta há muito tempo. Por mais que aumente o “mérito próprio” de todos, muitos não conseguirão tirar do fundo de sua alma e de sua luta “mérito próprio” suficiente, pois mais "mérito" não significa mais vagas. A ideologia da “meritocracia” na prática é mais uma forma de justificar os privilégios de nascimento.

Com as microempresas acontece um evento semelhante ao vestibular. As vagas como empresários bem sucedidos no ramo de bares na periferia, restaurantes de PF, vendedores ambulante, dono de serralheria, caminhoneiro autônomo e carreteiro são limitadas. Mesmo que o número de ofertantes desses serviços aumente, a demanda não aumentará significativamente. O mesmo poderia não acontecer, se esses microempresários vindo das classes operárias e marginalizadas conhecessem de computação ou alguma tecnologia avançada desde criancinhas e criassem uma Microsoft, ou seja, inventando seu próprio emprego. Se tivéssemos um monte de geniosinhos bem alimentados, e com tempo e acesso a todo o conhecimento que anseiam adquirir, pode ser que o número de vagas entre microempresários bem sucedidos não fosse tão limitada. Mas isso não é uma realidade, nem aqui e nem mesmo nos EUA. Não é qualquer um que nasce com desejo e capacidade para ser um megaempresário inovador, mas mesmo entre os que nascem, são poucos que tem essa oportunidade.

Na falta de melhores oportunidades, parte de nossos mais agressivos empreendedores, vindos das classes menos favorecidas, acabam criando empresas como a Fernandinho Beira Mar S/A. Cobrar que um desempregado seja um microempresário inovador bem sucedido é uma extrema injustiça e autoritarismo. Precisamos respeitar os desejos e os talentos das pessoas, considerando principalmente as limitações que lhes são impostas.


A solução da desigualdade não pode fugir do binômio: Desenvolvimentismo e Educação


Resumindo, o funil é rígido e por mais que se esforcem poucos podem atravessar. Mas entre os anos 30 e 1980 a boca do funil foi muito alargada. Não apenas o funil foi alargado, como também a renda e as oportunidades de emprego dentro das diversas “castas” foram significativamente ampliadas. Posso dizer que meus avós pertenciam à classe operária, eles melhoraram de vida durante os anos 40 e 50, graças não apenas à própria luta, mas também àqueles “anos dourados”.

Com meus pais foi diferente, eles atravessaram o funil. Foi difícil, lutaram muito, trabalharam enquanto estudaram mas conseguiram. Meu pai consertava estofamentos e acabou entrando na universidade pública, graças a muita garra. Mas entrou nela com a idade que tenho quando estou terminando meu doutorado. E, apesar das dificuldades iniciais, pôde aproveitar de oportunidades que não seriam imagináveis para meu avô. A farta oferta de empregos no período dava segurança aos jovens para sonhar um pouco mais, diferentemente de hoje, quando o desemprego assustador leva todos a buscar apenas a segurança financeira mínima, deixando guardado seus sonhos.

Quando meu pai saiu da universidade, em pleno milagre, ultrapassado o funil, pôde desfrutar da incrível fartura de empregos disponível aos integrantes da “casta média”. Podia-se dar ao luxo de financiar apartamento, carro e mobiliar a casa com poucos meses de salário. Além de dar aos filhos todo o conforto, educação e cultura, que um legítimo herdeiro da “casta média” “mereceria”. “Os filhos teriam mais conforto e cultura que os pais” e se Deus quisesse, mais democracia...

A ditadura era terrível, era manchada de sangue e havia exilado nossas melhores cabeças como do professor e ex-ministro do planejamento de João Goulart, Celso Furtado, que naqueles terríveis 20 anos escreveu 15 livros e outro tanto de artigos e ensaios. Dizem que havia dez mil exilados compulsórios e voluntários. Todavia, a esperança e o sonho, o sonho colorido, tropical e solidário imaginado pelos modernistas e plantado sob ferro e sabedoria com Getúlio, com alegria e coragem por JK e com ciência e fé por Furtado resistia bravamente. Havia retrocessos, mas também avanços. O desenvolvimento era uma questão de tempo. Coragem e esperança não faltavam, nem a um lado nem a outro, nem à esquerda nem à direita. As primeira décadas do pós-guerra foram um período muito romântico no resto do mundo, mas aqui foram a consolidação da nação, que pela primeira vez tinha fé em si mesma.


O Fim da “Era Vargas” do desenvolvimento


Podemos dizer que esperança e o sonho permaneceram vivos até a eleição de Tancredo. Anistia, diretas já, Henfil, tudo correspondia ao sonho. Nem a dura recessão do início dos anos 80, a primeira em muitas décadas, infringiu um abalo severo em nosso simbolismo. Com as esperanças renovadas, Furtado escreveu no primeiro ano da Nova República ‘A fantasia organizada’. Depois houve a morte de Tancredo, o fracasso do plano cruzado, a inércia do governo Sarney. Inércia que não foi acompanhada por Celso Furtado, pois mesmo insatisfeito com a condução da política econômica, manteve a disciplina e fez uma gestão corajosa no Ministério da Cultura. Todavia, a política econômica do Sarney fracassou.

Até aí, tudo bem, a gente esperaria a nossa vez. As diretas ainda não haviam chegado...

No entanto, as diretas trouxeram o que foi chamado pelo Professor Carlos Lessa de Fernandeca. Separado pelo feliz interregno de Itamar, que renovou-nos a esperança, vivemos entre os 2 anos de Collor de Mello e os 8 anos de Henrique Cardoso, um triste e constante balde de água fria. Como brinca o Professor Lessa, podemos fazer uma analogia desse período com aqueles terríveis anos de miséria que assolavam o Egito de tempos em tempos, como se fosse uma prolongada praga de gafanhotos (ou fernanhotos) que se abateu sobre nós. Mas o professor Furtado não se abateu. Escreveu nessa época seu 34º livro, ‘O longo amanhecer’, de um total de 36 livros de economia política.

A fernandeca foi a década de mais baixo crescimento e maior taxa de média de desemprego em toda nossa história. Isso espantou Celso Furtado: "Como explicar que uma economia com a vitalidade da brasileira, que nos primeiros três quartos do século XX beneficiou-se de um ritmo de crescimento superado apenas pelo do Japão, tenha se conformado com uma taxa de decrescimento no decorrer deste último decênio? [1]"

Como se não bastasse deixar a economia brasileira doente, os Fernandos se aproveitavam para pisotear e humilhar o enfermo, a proganda governamental ou semi-oficial se encarregou de desqualificar e desmoralizar os maiores símbolos de nosso orgulho. Primeiramente desqualificaram o sucesso de nossa história recente, a política de substituição de importações, de industrialização induzida pelo governo e muito bem descrita por Furtado, Tavares, Lessa, entre outros. Essa história que deu oportunidade para meus avós, meus pais e para mim. Como disse, sou filho da parte boa do milagre e neto da política econômica do Getúlio e JK. Essa história para mim é gloriosa, é a história da minha família, do meu povo. Uma história de luta, de esperança e de sonho.

Eles não poderiam ter desqualificado o que temos de melhor. Atacaram nossos símbolos, nosso orgulho. Nos anos 90 a Petrobrás virou “petrosauro”, a sistema elétrico mais limpo e barato do mundo virou "ultrapassado", o Proálcool, a energia promissora da biomassa tropical. virou rentseeking de usineiros, as estatais que nos deram uma fartura de aço, minérios, metais, celulose, petroquímicos, adubos, aviões e, principalmente, desenvolvimento, viraram paquidermes.

O que vinha de fora, o que era importado era o único padrão, as expressões inglesas passaram a ser adotadas em um ritmo nunca visto, as recomendações que vinham do FMI e do banco mundial eram a única lei. Fernando 2º chegou a até a sugerir que Chico Buarque era um “artista menor” (?!!!). Passaram de todos os limites!!

Assim, crise econômica, mediocridade política, subserviência geopolítica e cultural, propaganda neoliberal, imposição de pensamento único com interrupção do debate e monopólios da mídia, durante a fernandeca, mataram nossos sonhos e nossas esperanças.

"Em nenhum momento de nossa história foi tão grande a distância entre o que somos e que esperávamos ser" (Celso Furtado)


Lula, o PT e a esperança


Até que surgiu a luz no fim do túnel, não é uma luz tão recente, tem 24 anos, data da fundação do PT. Mas é uma luz que não parou de brilhar até as eleições presidenciais de 2003. Fundado a partir dos movimentos sindicais da segunda metade dos anos 70, o PT teve o Lula como fundador e estrela maior.

Lula ultrapassou sozinho todas as castas. Da marginalidade ao operariado, de operário a presidente. O Lula, metalúrgico, sindicalista e político também é um filho do milagre. Sua ida para São Paulo com a família, sua formação como torneiro mecânico no Senai e seu progresso social possivelmente também são netos do progresso econômico e social dos períodos Getúlio e JK. Desses herdou também a chama das nossas lutas pelo povo e pela nossa independência como nação.

A esperança venceu o medo nas eleições. Precisamos voltar ao ponto de onde paramos, voltarmos à esperança de um Brasil justo, igualitário, e cheio de alegria; alegria tropical, mestiça e autêntica. Um Brasil dos sonhos do professor Celso Furtado.

Será que todas as crianças nas ruas, e favelas e nas plantações puderam comemorar seu aniversário no ano de 2004? É hora do nosso povo voltar a sonhar em receber presentes de aniversário e até em coisas maiores, como no passado:


"Tínhamos a idéia de que, se o país conseguisse atingir um certo grau de desenvolvimento industrial, de desenvolvimento econômico propriamente dito, a um certo nível de desenvolvimento ganharia autonomia. Daria um salto enorme que significa sair de uma economia de dependência econômica para uma autêntica independência. Era nada menos do que isso que estava em jogo. E eu escrevei sobre isso, e disse que estávamos nas vésperas de dar esse salto. Foi nos anos 50, quando houve o debate sobre Brasília etc. Na verdade, houve uma tomada de consciência de um lado e de outro, o Brasil viveu o seu período mais intenso de construção política, de renovação do pensamento. Para mim, a história do Brasil tem um período extraordinariamente significativo, esse período que vai do fim do primeiro governo Vargas até o começo da ditadura militar, cerca de 20 anos. Foi uma ebulição política na qual todas as idéias vieram a debate, descobrimos tudo, tudo veio à tona, e foi um entusiasmo muito grande. Pelo Brasil afora, fui paraninfo de dezenas de turmas de estudantes... Era uma coisa muito empolgante, o país se industrializando, se transformando, incorporando massas de população à sociedade moderna” (Celso Furtado, dezembro de 2002; Caros Amigos, fevereiro).


Inclusive minha família e a do Presidente. Infelizmente...


“Isso tudo veio abaixo. E não veio abaixo porque a economia brasileira deixou de crescer, ao contrário, houve anos em que o Brasil cresceu mais ainda, mas veio abaixo porque mudou o estilo de desenvolvimento, e desapareceram as forças sociais que estavam presentes antes. Antes de 64 houve uma enorme confrontação de forças sociais, era aquele caldeirão, que causou tanto medo na grande burguesia e nos americanos... Passaram se trinta anos sem se poder pensar propriamente, ou sem poder participar de movimentos, a juventude mais agressiva e corajosa foi perseguida. Desmantelou-se o processo de construção do Brasil. E aquele ganho formidável alcançado no período anterior se perdeu. E o pior é que não foi possível abrir um debate sobre nada importante, porque toda a imprensa já estava controlada, tudo aferrolhoado, a juventude estava desmobilizada, era outro país" (idem).


Temos que ter novas esperanças e começar a sonhar de verdade, sonhar em escancarar o funil, chegou nossa hora, professor? “ Se o Brasil partir da identificação dos problemas sociais, conseguirá criar um tipo de opinião pública como essa que se manifestou agora na eleição de Lula. De tudo isso, o mais importante é a diferença que há nesse movimento de hoje em dia, que é de raiz popular, de raiz social, partiu para a investigação dos problemas sociais e não dos problemas econômicos. Portanto, acho que se ganha uma parte da batalha se for priorizado o problema social. Isso eu compreendo que é um pouco a estratégia de Lula. Colocando o problema social, ele vai criar um tipo de opinião pública cada vez mais democrática, de raiz popular, e essa opinião pública de raiz democrática é que vai permitir consolidar esse próximo momento, e você vai ter finalmente a transformação do Brasil partindo do social e não do econômico” (idem).

Estamos rezando...Até agora não vimos nada. Mas talvez seja porque Celso Furtado, no alto de sua longa e nobre experiência conseguia ver além da vigente cortina de mediocridade e desesperança: "Em um futuro que, imagino, não será muito remoto, parecerá simples devaneio de intelectual ocioso a referência ao que está ocorrendo na América Latina neste final de era marcado pelo fundamentalismo mercantil." (Celso Furtado, 2004)

Professor, esperamos que esteja certo. Mas se não for dessa vez, pedimos força para sabermos carregar sua bandeira nas próximas oportunidades. Suas esperanças não morrerão. Seu sonho, nosso sonho, ainda será realidade.

Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2004

(*) Doutorando em economia da UFRJ, na época, hoje economista do BNDES. Gostaria de agradecer a Sandra Carvalho, Eduardo Kaplan e Bruno Galvão dos Santos pela leitura e comentários.

Fonte: www.cartamaior.com.br

domingo, 27 de julho de 2014

Obras Inacabadas e o Emprego do Dinheiro Público em Jacobina.

Enquanto os moradores do Loteamento Elvira Pires aguardam praças e espaços lazer para comunidade,  o elefate branco acima é mais um exemplo de como o dinheiro público é desperdiçado em Jacobina. 
A polarização política em Jacobina, a falta de planejamento e as sucessivas administraçoes centralizadoras tem causado um histórico retrocesso e descontinuidade do serviço publico.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Grande Mídia Nacional: Omissão ao invés de informação !!!

Tragédia em BH e a mídia macabra
Por Altamiro Borges
Atordoada com a pesquisa do Datafolha, que apontou a melhoria do humor dos brasileiros com o sucesso da Copa e seus reflexos positivos na candidatura de Dilma Rousseff, a mídia tucana está à procura de cadáveres. Nesta sexta-feira (4), todos os jornalões deram manchetes garrafais para a tragédia que atingiu Belo Horizonte e resultou na morte de duas pessoas. A mídia macabra evita criticar a empreiteira Cowan, responsável pela construção do viaduto que desabou; também isenta o prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda, um aecista convicto que inclusive rompeu com seu partido (PSB) para apoiar o candidato tucano ao governo estadual. Tudo é feito para desgastar a imagem da presidenta!
Os barões da mídia até parece que combinaram suas manchetes espalhafatosas num encontro mórbido.Folha: “Obra inacabada da Copa desaba e mata 1 em BH”; O Globo: “Viaduto de obra da Copa desaba e mata 2 em BH”; Estadão: “Viaduto planejado para Copa cai e mata 2″. O tom da cobertura também é idêntico.
Todos os jornais enfatizam que a construção faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com o nítido propósito de culpar o governo federal. Evitam destacar o fato de que a execução das obras do PAC cabe aos estados e municípios. Até a lacônica explicação do prefeito Marcio Lacerda, de que a tragédia foi uma simples “falha de engenheira”, passa batido pelos jornalões.
A Cowan foi contratada pela prefeitura de Belo Horizonte para duplicar uma avenida e construir três viadutos nas proximidades do estádio do Mineirão. As obras, com um custo de R$ 171 milhões (afora os aditivos), não foram concluídas a tempo para os jogos da Copa. Além do atraso – que não é realçado pela mídia privada, que adora criticar apenas a ineficiência do setor público –, agora ocorreu o desabamento. Para o prefeito, “acidentes como esse infelizmente acontecem… Não sabemos se é falha de projeto ou de construção. Serão feitas todas as perícias, um inquérito policial será aberto e essa análise será feita com cuidado”. Lacerda também garante que a prefeitura fiscalizou a execução da obra.
Em editorial, a Folha tucana não fez qualquer crítica à empreiteira e ao prefeito amigão de Aécio Neves, o cambaleante candidato do PSDB. Num oportunismo explícito, ela preferiu tratar do “humor da Copa” e dos reflexos nas eleições. Para o jornal, a queda do viaduto “não foi, felizmente, tragédia de maiores proporções. Serve para lembrar, ainda assim, o quanto houve de irresponsabilidade e improviso, para nada dizer de corrupção, na organização do Mundial”.
Ao tratar da pesquisa Datafolha, que apontou o crescimento de Dilma, a Folha escancara a sua torcida. “Não é improvável que, passada a Copa, a percepção positiva venha a ser confrontada com outras realidades e se dilua no turbilhão da campanha eleitoral”.
Como já apontou Fernando Brito, no excelente blog Tijolaço, a cobertura da triste tragédia em Belo Horizonte só confirma a “politicagem mórbida” da mídia. Ele lembra que “há menos de um mês, caiu uma viga da obra do monotrilho da Linha 17 – Ouro do Metrô paulista, próxima ao Aeroporto de Congonhas, e matou uma pessoa. O monotrilho, que fará a ligação entre o aeroporto de Congonhas e a rede de trens metropolitanos, era, como está noticiado em uma velha matéria do UOL, ‘a única obra de responsabilidade do governo do Estado de São Paulo que consta na Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo’”. A mídia tucana, porém, não fez qualquer escarcéu e rapidamente arquivou esta tragédia! Geraldo Alckmin, candidato à reeleição do PSDB, deve ter agradecido – sabe se lá como!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

INFORMES: MANDATO DO EDIL CARLINHOS DA CAIXA - PCdoB - JACOBINA.

Após um longo e intenso estudo da Constituição Federal e do ciclo orçamentário, na última sessão extraordinária da Câmara de Vereadores de Jacobina,  o vereador Carlinhos da Caixa apresentou ementas à LDO que garantem recursos para o apoio financeiro na APAE e ABRIGO DOS VELHOS, criação de CICLOVIAS,  do CENTROS COMERCIAIS DE AMBULANTES, CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES, REALIZAÇÃO DE CONCURSO PARA O LEGISLATIVO e implementação da ATUALIZAÇÃO DO CADASTRO E REGISTROS IMOBILIÁRIOS  em Jacobina. Todas estas Emendas foram subscritas e aprovadas pela maioria do Legislativo Municipal, deste modo, cabe ao cidadão acompanhar e cobrar para que estas demandas coletivas sejam realizadas pelo Poder Executivo Municipal, haja vista que na Administração Pública nada se faz sem prévia autorização e dotação orçamentária, consequentemente este já não é mais o problema. Segue abaixo cópia para que todos possam salvar e exercer sua cidadania plena, registramos aqui nossos parabéns ao vereador por cumprir com excelência o seu papel de legislador. E você amigo eleitor, já parou para observar o quê o seu vereador está realizando enquanto legislador municipal??
















terça-feira, 10 de junho de 2014

Ao povo brasileiro, pronunciamento sobre a Copa das Copas.

Por Dilma Rousseff, Presidenta Eleita do Brasil.


Minhas amigas e meus amigos,
A partir desta quinta-feira, os olhos e os corações do mundo estarão voltados para o Brasil, acompanhando a maior Copa da história.
Pelo menos 3 bilhões de pessoas vão se deixar fascinar pela arte das 32 melhores seleções de futebol do planeta.
Para o Brasil, sediar a Copa do Mundo é motivo de satisfação, de alegria e de orgulho.
Em nome do povo brasileiro, saúdo a todos que estão chegando para esta que será, também, a Copa pela paz e contra o racismo;
a Copa pela inclusão e contra todas as formas de violência e preconceito;
a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento.
A Seleção Brasileira é a única que disputou todas as Copas do Mundo realizadas até hoje.
Em todos os países, sempre fomos muito bem recebidos.
Vamos retribuir, agora, a generosidade com que sempre fomos tratados, recebendo calorosamente quem nos visita.

Tenho certeza de que, nas 12 cidades-sede, os visitantes irão conviver com um povo alegre, generoso e hospitaleiro, e se impressionar com um país cheio de belezas naturais e que luta, dia a dia, para se tornar menos desigual.
Amigos de todo o mundo: cheguem em paz! 
O Brasil, como o Cristo Redentor, está de braços abertos para acolher todos vocês.
Brasileiras e Brasileiros,
Para qualquer país, organizar uma Copa é como disputar uma partida suada - e muitas vezes sofrida.
Com direito a prorrogação e disputa nos pênaltis.
Mas o resultado e a celebração final valem o esforço.
O Brasil venceu os principais obstáculos e está preparado para a Copa, dentro e fora do campo.
Para que esta vitória seja ainda mais completa é fundamental que todos os brasileiros tenham uma noção correta de tudo que aconteceu.
Uma visão sem falso triunfalismo, mas também sem derrotismo ou distorções.
 
Como se diz na linguagem do futebol: treino é treino, jogo é jogo.
No jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo.
Foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca.
Os pessimistas diziam que não teríamos Copa porque não teríamos estádios.
Os estádios estão aí, prontos.
Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos.
Praticamente, dobramos a capacidade dos nossos aeroportos.
Eles estão prontos para atender quem vier nos visitar; prontos para dar conforto  a milhões de brasileiros.
Chegaram a dizer que iria haver racionamento de energia.  Quero garantir a vocês: não haverá falta de luz na Copa, nem depois dela.
O nossos sistema elétrico é robusto, é seguro, porque trabalhamos muito para isso.
Chegaram também  ao ridículo de prever uma epidemia de dengue na Copa em pleno inverno, no Brasil!
Além das grandes obras físicas e da infraestrutura, estamos entregando um sistema de segurança capaz de proteger a todos, capaz de garantir o direito da imensa maioria dos brasileiros e dos nossos visitantes que querem assistir os jogos da Copa.
Estamos entregando, também, um moderno sistema de comunicação e transmissão que reúne o que há de mais avançado em tecnologia, incluindo redes de fibra ótica e equipamentos de última geração, em todas as 12 sedes.
Minhas amigas e meus amigos,
A Copa apressou obras e serviços que já estavam previstos no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.
Construímos, ampliamos ou reformamos aeroportos, portos, avenidas, viadutos, pontes, vias de trânsito rápido e avançados sistemas de transporte público.
Fizemos isso, em primeiro lugar, para os brasileiros.
Tenho repetido que os aeroportos, os metrôs, os BRTs e os estádios, não voltarão na mala dos turistas.
Ficarão aqui, beneficiando a todos nós.
Uma Copa dura apenas um mês, os benefícios ficam para toda vida.
Os novos  aeroportos não eram necessários apenas para receber os turistas da Copa.
Com o  aumento do emprego e da renda, o número de passageiros mais que triplicou nos últimos dez anos: de 33 milhões em 2003, saltamos para 113 milhões de passageiros no ano passado, e devemos chegar a 200 milhões em 2020.
Por isso, precisávamos modernizar nossos aeroportos para, acima de tudo, melhorar o dia-a-dia dos brasileiros que, cada vez mais, viajam de avião.
Agora também temos estádios modernos e confortáveis, de Norte a Sul do país, à altura do nosso futebol e dos nossos torcedores.
Além de servir ao futebol, serão estádios multiuso: vão funcionar também, como centros comerciais, de negócios e de lazer, e palcos de shows e festas populares.
Minhas amigas e meus amigos,
Tem gente que alega que os recursos da Copa deveriam ter sido aplicados na saúde e na educação.
Escuto e respeito essas opiniões, mas não concordo com elas.  Trata-se de um falso dilema.
Só para ficar em uma comparação: os investimentos nos estádios, construídos em parte com financiamento dos bancos públicos federais, e em parte com recursos dos governos estaduais e das empresas privadas, somaram 8 bilhões de reais.
Desde 2010, quando começaram as obras dos estádios, até 2013, o governo federal, os estados e municípios investiram cerca de 1 trilhão e 700 bilhões de reais em educação e saúde. Repito, 1 trilhão e 700 bilhões de reais.
Ou seja : no mesmo período, o valor investido em educação e saúde no Brasil é 212 vezes maior que o valor investido nos estádios.
Vale lembrar, ainda, que os orçamentos da saúde e da educação estão entre os que mais cresceram no meu governo.
É preciso olhar os dois lados da moeda.
A Copa não representa apenas gastos, ela traz também receitas para o país.
É fator de desenvolvimento econômico e social.
Gera negócios, injeta bilhões de reais na economia, cria empregos.
De uma coisa não tenham dúvida: as contas da Copa estão sendo analisadas, minuciosamente, pelos órgãos de fiscalização.
Se ficar provada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos com o máximo rigor.
Minhas amigas e meus amigos,
O Brasil que recebe esta Copa é muito diferente daquele país que, em 1950, recebeu sua primeira Copa.
Hoje, somos a 7a economia do planeta e lideres, no mundo, em diversos setores da produção industrial e do agronegócio.
Nos últimos anos, nosso país promoveu um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, de aumento do nível de emprego e de inclusão social.

Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, levando, em uma década, 42 milhões de pessoas à classe média e retirando 36 milhões de brasileiros da miséria.
Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia jovem, dinâmica e pujante.
Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos com manifestações populares e reivindicações que nos ajudam a aperfeiçoar, cada vez mais, nossas instituições democráticas.
Instituições que nos respaldam tanto para garantir a liberdade de manifestação como para coibir excessos e radicalismos de qualquer espécie.
Meus queridos jogadores e querida Comissão Técnica,
Debaixo da camisa verde-amarela, vocês materializam um poderoso patrimônio do povo brasileiro.
A Seleção representa a nacionalidade. Está acima de governos, de partidos e de interesses de qualquer grupo.
Por isso, vocês merecem que um dos legados desta Copa seja, também, a modernização da nossa estrutura do futebol e das relações que regem nosso esporte.
O Brasil precisa retribuir a vocês, e a todos os desportistas, tudo o que vocês têm feito por nosso povo e por nosso país.
O povo brasileiro ama e confia em sua Seleção.
Estamos todos juntos para o que der e vier.
Viva a Paz!
Viva a Copa!
Viva o Brasil!
Obrigada e Boa Noite.

Fonte: Globo.com

domingo, 11 de maio de 2014

O LINCHAMENTO INCENTIVADO

Por Luiz Brasileiro.

O LINCHAMENTO INCENTIVADO





O linchamento de Fabiane Maria de Jesus, 33, ocorrido no Guarujá, litoral paulista, ocorrido no último sábado, dia de 03 de maio, é chocante, brutal, cruel, principalmente por ser um uma prova da irracionalidade incentivada e provocada.

A vítima foi objeto de infamantes boatos em página do Facebook imputando-lhe a prática de magia negra e de ter usado crianças raptadas em rituais. Os assassinos e o indivíduo que fazia a página não procuraram saber a verdade, se a ocorrência imputada era um fato ou maledicência.

Apesar da brutalidade do desfecho não devemos olvidar as possíveis causas deste crime. É fácil manejar uma campanha de ódio, não é preciso dispor de uma rede de televisão ou de rádio, basta um ou alguns hábeis na arte de intrigar soprarem no ouvido certo, que pode ser um ou vários, que sempre deságua em atos desta natureza, agressão ou linchamento, execução sumária.

Resta óbvio que satanizar alguém usando uma rede de televisão no Brasil é uma barbada. Sem regulação de qualquer espécie vicejam os programas que atentam contra os Direitos Fundamentais do Cidadão, os chamados DIREITOS HUMANOS - não basta para gente como Rachel Sherezade, Luis Datena e Marcelo Rezende substituir o Judiciário em julgamento sumário, tem que haver a execração.

O ex-ministro Zé Dirceu antes de ser julgado pelo STF quase teve sua cabeça atingida por uma bengala de mais de um quilograma de ferro manejada por um escritor de estórias para crianças. Se a bengalada tivesse atingido o alvo poderia tê-lo matado. Ninguém duvida que foi resultado da intoxição emocional promovida contra si pelas grandes redes de televisão, Globo, Bandeirantes - que sabiam o que estavam fazendo e o que poderia ocorrer.

A compreensão da propaganda e da manipulação da opinião pública já foi estudada por dezenas de autores. Contudo, o filme “A ONDA” demonstra com uma estória a tese de como é possível manipular pessoas, bastando que se saiba operacionalizar técnicas que incidam sobre a fragilidade da subjetividade dos homens.

O filme demonstra que o lado frágil da subjetividade humana é a faceta que aflora quando o sujeito sacrifica a capacidade de raciocinar e passa a aceitar proposições sem exigir provas ou a mínima plausibilidade como os dogmas ou falsa informação.

Demonstra também a tese do filme que as organizações secretas místicas ou supostamente laicas são já em si instrumentos de manipulação para a veiculação de doutrinas autoritárias pois a natureza conspiratória obsta a análise e facilita a fixação dos dogmas e o sacrifício da racionalidade.

Evidencia A ONDA também que os ritos e os símbolos podem ser também instrumentos de veiculação dos dogmas autoritários verificada a facilidade com que por estes meios eles são impostos e como facilmente por eles manipula-se condutas e atitudes.

Patenteia a tese demonstrada no filme que explorar com os fins de manipular as condutas os sentimentos de ódio, de inferioridade, frustrações ou sentimentos de suposta superioridade é fundamental para se operar na fragilidade da subjetividade, que ocorre quando o indivíduo sacrifica a capacidade de pensar sobre bases racionais e demonstráveis e abdica de apoiar a convicção em provas.

É por esta lacuna da subjetividade, o lado irracional, que se pode contrabandear para a pauta de crenças e valores do indivíduo como se verdade fosse proposições que não se amparam sequer em evidências mínimas.

Apelar para os sentimentos de crueldade agitando preconceitos, dogmas, explorar a ignorância e os sentimentos atávicos como o instinto de sobrevivência, o medo e o sentimento de grupo ou rebanho é uma fórmula infalível para a manipulação da opinião pública e das multidões.

Da apelação para o sacrifício da racionalidade se valem todas as doutrinas autoritárias, inclusive doutrinas políticas como o fascismo, ou simplesmente místicas comerciais como a sopa de letras de Paulo Coelho ou Edir Macedo.


Fonte: http://blogdeluizbrasileiro.blogspot.com.br/2014/05/normal-0-21-false-false-false.html