segunda-feira, 14 de abril de 2014

GOLPE MILITAR E O PAPEL DA MÍDIA.

Jornalismo golpista

A participação entusiasmada dos donos de mídia, articulistas, editorialistas e chefes de redação na conspiração contra o presidente João Goulart
por Juremir Machado da Silva — publicado 03/04/2014 05:37
Reprodução e Folha Press
jornais
As manchetes exultantes e os editoriais a favor da intervenção militar deram o tom

No Brasil, 1964 pode ser descrito como o ano da imprensa colaboracionista. Os intelectuais jornalistas traíram o compromisso com a verdade e com a independência por desinformação, conservadorismo e ideologia. Alberto Dines, Antonio Callado e Carlos Heitor Cony ajudaram a derrubar Jango. O poeta Carlos Drummond de Andrade sujou as mãos com algumas mal traçadas crônicas destinadas, pós-golpe, a chutar cachorro morto. Em 1954, a mesma imprensa havia empurrado Getúlio Vargas ao suicídio. Nas únicas três vezes em que o Brasil teve governos do centro para a esquerda – 1951-1954, 1961-1964 e 2003 até hoje –, a mídia aliou-se aos mais conservadores ao agitar os mesmos espantalhos: corrupção, anarquia, desgoverno, aparelhamento do Estado, tentações comunistas e outras ficções mais ou menos inverossímeis.
Em 1964, João Goulart, fervido no caldo borbulhante da Guerra Fria, enfrentou a ira moralista de veículos como o Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Tribuna da Imprensa, O Dia e dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. A queda de Jango começou a se definir em 13 de março, uma sexta-feira. O presidente cometeu o pecado de abraçar a reforma agrária e de encampar as refinarias de petróleo. A reação conservadora pôs nas ruas as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Consumado o golpe, o diretor de O Estado de S. Paulo, Julio de Mesquita, não se constrangeu em publicar, em 12 de abril de 1964, o “roteiro da revolução”, que ajudara a preparar com auxílio do professor Vicente Rao, em 1962.
O patriarca da imprensa golpista clamava pelo fechamento do Congresso Nacional e das assembleias legislativas. “Há mais ou menos dois anos, o Dr. Júlio de Mesquita Filho, instado por altas patentes das Forças Armadas a dar a sua opinião sobre o que se deveria fazer caso fosse vitoriosa a conspiração que então já se iniciara contra o regime do Sr. João Goulart, enviou-lhes em resposta a seguinte carta...” Sugeria a suspensão do habeas corpus, um expurgo no Judiciário e a extinção dos mandatos dos prefeitos e governadores. A solução “democrática” contra o governo de Jango seria uma junta militar instalada no poder por, no mínimo, cinco anos.
A “Mensagem ao Congresso”, enviada por Jango em 15 de março, detonou o horror na imprensa golpista. O confronto com os marinheiros reunidos no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, em 25 de março, deu nova e poderosa munição para o golpismo midiático: as Forças Armadas estariam minadas pela indisciplina. Os marinheiros da base da hierarquia tinham reivindicações subversivas, entre elas... o direito ao casamento. A mídia considerava tudo isso muito radical. Em 30 de março, Jango compareceu ao encontro dos sargentos no Automóvel Clube do Rio. Foi a senha para o autodenominado “vaca fardada”, o general Olympio Mourão Filho, dar o seu coice mortal, marchando com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio. A mídia exultou.
O golpe partiu de Minas sob a liderança civil do governador Magalhães Pinto. Alberto Dines, hoje decano dos críticos de mídia e pregador de moral e cívica no seu Observatório da Imprensa, brindou o governador, no livro que organizou e publicou ainda em 1964 para tecer loas ao golpismo – Os Idos de Março e a Queda em Abril –, com o mais alto elogio disponível na época, um cumprimento aos colhões do pacato golpista: “Enfim, apareceu um homem para dar o primeiro passo. Este homem é o mais tranquilo, o mais sereno de todos os que estão na cena política. Magalhães Pinto, sem muitos arroubos, redimiu os brasileiros da pecha de impotentes”.
O Correio da Manhã deveria constar no livro dos recordes como o mais rápido caso de arrependimento da história do jornalismo. Em 31 de março e 1º de abril de 1964, golpeava furiosamente. No editorial “Basta!”, decretava: “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta”. De quê? “Basta de farsa. Basta da guerra psicológica que o próprio governo desencadeou com o objetivo de convulsionar o país e levar avante a sua política continuísta. Basta de demagogia para que, realmente, se possam fazer as reformas de base”.
O jornal iludia-se como uma senhora de classe média desinformada: “Queremos as reformas de base votadas pelo Congresso. Queremos a intocabilidade das liberdades democráticas. Queremos a realização das eleições em 1965. A nação não admite nem golpe nem contragolpe”. No editorial “Fora!”, saiu do armário: “Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: 'Saia!”' Veredicto: “João Goulart iniciou a sedição no país”. E mais: “A nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do Governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o Governo ao seu legítimo sucessor”. Como poderia de um golpe vir um “legítimo sucessor”? Mistérios do jornalismo: “Hoje, como ontem, queremos preservar a Constituição. O Sr. João Goulart deve entregar o Governo ao seu sucessor porque não pode mais governar o País”.
Os grandes jornais paulistas e cariocas atolaram-se com o mesmo entusiasmo. Apoiaram o golpe e a ditadura. A Folha de S.Paulo ficou famosa por emprestar suas caminhonetes para a Operação Bandeirantes transportar “subversivos” para o tronco. Em 22 de setembro de 1971, o jornal de Octavio Frias tecia em editorial o seu mais ditirâmbico elogio ao pior momento da ditadura: "Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social, realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama".
Esse apoio explícito da Folha de S.Paulo ao governo de Emílio Garrastazu Médici ganha nesse editorial um tom de confissão apaixonada: “Um país, enfim, de onde a subversão – que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear”. Em 2009, a Folha de S.Paulo chamou a ditadura de “ditabranda”. O arrependimento nunca chegou.
O Globo, em editorial de 2 de abril de 1964, notabilizou-se pela bajulação surrealista: “Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem”. Em 7 de outubro de 1984, nos 20 anos do regime, Roberto Marinho reincidiu: “Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Só 49 anos depois do golpe, O Globo publicaria uma retratação contraditória e pouco convincente. Assim foi com outro representante do jornalismo carioca. Em 31 de março de 1973, o Jornal do Brasil comemorava: “Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer”.
Em 2 de abril de 1964, a Tribuna da Imprensa deu em manchete uma lição do mau jornalismo que sempre a distinguiu: “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas”.
Se os jornais apoiaram o golpe e a ditadura, muitos intelectuais jornalistas marcharam na linha de frente do golpismo. Cony, que logo percebeu o tamanho da encrenca e passou a criticar o novo regime, admitiu ter participado da confecção dos editoriais “Basta” e “Fora” do Correio da Manhã: “Minha participação limitou-se a cortar um parágrafo e acrescentar uma pequena frase”. Quanta modéstia retrospectiva! Para Cony, João Goulart era um “homem completamente despreparado para qualquer cargo público, fraco, pusilânime e, sobretudo, raiando os extensos limites do analfabetismo”.
Dines vomitaria uma das maiores asneiras da época: “É preciso muita convicção para não se enredar pelo glamour de uma façanha esquerdista. Quem tem coragem para dizer que aqueles marinheiros, que arriscaram a vida com aquele motim por uma causa tão distante e abstrata, como reformas de base, eram oportunistas e agitadores”. Entre as causas distantes e abstratas defendidas naqueles tempos estavam o direito ao casamento e ao voto para os analfabetos. Em 1968, depois do AI-5, em discurso numa formatura, Dines criticou a censura. Enrolou-se com os velhos amigos. O Serviço Nacional de Informações forneceu-lhe um atestado de bons antecedentes descoberto pelo pesquisador Álvaro Larangeira: “Sempre se manifestou contrário ao regime comunista. Colaborou com o governo revolucionário, escrevendo livro sobre a revolução e orientou feitura de cadernos para difundir objetivos da revolução”. Não foi denunciado. Perdoou-se o deslize.
Callado faz de Jango um bêbado, incompetente e inculto, casado com uma mulher fútil, e com um vício terrível, “o de aumentar o salário mínimo”. O futuro escritor atrapalhava-se com as palavras: “A Presidência da República foi transformada numa espécie de grande Ministério do Trabalho, com a preocupação constante do salário mínimo”. Chafurdava na maledicência: “Ao que se sabe, muitos cirurgiões lhe garantiram, através dos anos, que poderia corrigir o defeito que tem na perna esquerda. Mas o horror à ideia de dor física fez com que Jango jamais considerasse a sério o conselho. Talvez por isso tenha cometido o seu suicídio indolor na Páscoa”. Raízes de certo jornalismo de nossos dias.
Juremir Machado da Silva é jornalista e autor de 1964, Golpe Midiático-Civil-Militar.

Fonte: www.cartacapital.com.br

quinta-feira, 10 de abril de 2014

OPINIÃO DO LEITOR E A SAÚDE DE JACOBINA.


A saúde Jacobinense na UTI

A discussão sobre a saúde em jacobina corre o risco de se transformar em um assunto banal em virtude da falta de interesse e do mal uso das verbas públicas por parte dos vários administradores que por aqui passaram e ainda permanecem.
Parte disto pode ser creditado ao fato de que este assunto está sendo abordado de forma política, sem o devido cuidado de analisar as necessidades reais da cidade.
Mesmo depois de alguns anos de implantação do PSF (Programa de Saúde da Família), ainda presenciamos uma grande falta de comprometimento por parte dos poderes públicos em relação a esta área, não priorizando a verdadeira função do programa. Para onde estão sendo destinada as verbas que deveriam ser usadas para a manutenção dos PSFs?
Ao mesmo passo insere-se no contexto uma outra discussão tão importante quanto o sucateamento dos postos de saúde: a visão do profissional de saúde em relação ao setor público em jacobina. Alguns dirão que a falta de atitude por parte do estado causa um ambiente de permissividade em relação a atitude do médico. No caso da má prestação do serviço público, quem será lembrado, o médico ou o Estado?
Esta relação umtanto conturbada entre o poder público e a classe médica já deu muito o que falar, com declarações de ambas as partes creditando sempre ao outro a paternidade do filho (ou problema). Enquanto isso, no meio do fogo cruzado, permanece a outra parte mais interessada e para quem as outras duas deveriam trabalhar de forma coesa e com dedicação total. A população está realmente preparada para discutir estes problemas de forma a cobrar mais comprometimento e responsabilidade às partes citadas?
Os quase sucateados PSFs de Jacobina não são mais alvo de debates entre os meios de comunicação, o uso da saúde em campanha e posteriormente, a vinda da COOFSAÚDE, deixou uma enorme dúvida no ar permitindo que fossem feitas avaliações preliminares.
A maquiagem usada para encobrir os vários problemas existentes na saúde se tornou regra entre alguns administradores, o mal uso do dinheiro público no transcorrer das gestões, fazem com que os sucessores sempre usem como justificativa a afirmativa de que “estão pagando os débitos dos gestores anteriores”.
O continuísmo destas práticas e a ausência da sociedade nestas questões, juntamente com o descaso da mesma, quer seja por ignorância ou por conivência, abre um grande precedente para que este espetáculo do mal uso do dinheiro público continue a ser estrelado e que algumas respostas colocadas acima continuem sem as devidas respostas.

Por:  Américo Oliveira Júnior

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O que procuram, a farsa ou a tragédia?

Por Maria Inês Nassif.



Há pouco mais de uma década, seria impensável a qualquer representante de parcela do pensamento político brasileiro usar o golpe de 1964 como propaganda política. A ditadura militar foi capaz de envergonhar uma parcela enorme da população brasileira, inclusive a esmagadora maioria que se arrependera de apoiá-la – e muita gente a apoiou por atos, pensamentos ou omissões. Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas, em 2002, e a inauguração de um período dominado eleitoralmente pelo PT, a referência política do golpe retorna intensamente, por meio de forças neoconservadoras, não como vergonha, mas como exemplo a ser seguido.

A articulação do golpe foi, na história da República brasileira, o momento em que mais estiveram coesas as forças conservadoras do Brasil; em que a reação civil ao voto popular precedeu e incentivou a ação militar; e em que uma incipiente coesão progressista da América Latina foi transformada, pela força e com a ajuda econômica e ideológica dos Estados Unidos, num cisto reacionário incrustrado num pedaço do mundo onde a influência do maior país capitalista tornou-se plenamente hegemônica.

No decorrer dos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, e depois da frustrada tentativa de forçar a renúncia de Lula em 2005, após o escândalo do mensalão, e convencê-lo a desistir da reeleição, ocorrem reiteradas tentativas de repetir as condições objetivas existentes há 50 anos para a interrupção de um regime democrático.

O exemplo IPES-Ibad talvez seja o maior. Desses institutos, jorrou dinheiro de pesquisa para intelectuais cujos trabalhos dariam suporte ideológico à campanha anticomunista contra o governo de João Goulart, pretexto para que o setor produtivo privado brasileiro – que teoricamente seria beneficiado no embate entre as correntes nacionalistas e as nem tanto do governo petebista – pular do barco, e muitos dólares (de inconfessada origem, mas comprovadamente investimento dos órgãos de segurança na desestabilização da democracia brasileira) para financiar, nas eleições parlamentares de 1962, políticos comprometidos ideologicamente com a reação. Na última década, foram criados institutos com o objetivo explícito de dar unidade ao pensamento conservador. Se aparentemente estes aparelhos ideológicos não movimentam tanto dinheiro, conseguiram mapear extensivamente quem está do mesmo lado e mantê-los sob a sua proteção, quer se tornando avalistas de sua lealdade ao pensamento conservador para um possível empregador, quer indicando para simpatizantes de que fonte beber para ser parte dessa máquina de propaganda.

A confiança conquistada por esses intelectuais orgânicos, por estarem protegidos nos lugares onde produzem ideologia para consumo de um público (jornais, tevês, universidades, simpósios bem pagos no mundo da iniciativa privada etc), fez proliferar um tipo de pensamento raso, mais para consumo das classes médias menos intelectualizadas, e um discurso propagandístico que a modernidade jurava ter colocado em desuso.

O discurso anticomunista, que as forças progressistas puseram na lista de anacronismos depois da queda do Muro de Berlim e o desmonte do bloco socialista mundial, em 1989, foi surpreendentemente desenterrado na formulação do discurso conservador. É como se os neoliberais, ao tentarem fazer ressurgir a grande coesão conservadora do golpe de 1964, não encontrassem outro pretexto para unir o seu espectro ideológico no ano de 2014. Isso porque o discurso ideológico dessas forças no período democrático perdeu força, brilho e credibilidade nos anos 90, após os governos conservadores do PSDB.

Esse discurso anticomunista, ao tomar como exemplo um fato histórico ocorrido há meio século, acha que é obrigação de seus intelectuais, nessa guerra ideológica tardia, investir contra a imagem do presidente deposto em 1964, João Goulart. Parece que investir contra o presidente deposto ataca também, por similaridade, o governo atual. O argumento mais usado era de que o estancieiro Jango era um fraco e foi deposto porque cedeu à pressão do PCB, abriu espaço para os comunistas no seu governo e, por influência deles, levaria o país ao comunismo.

As esquerdas dominavam o país antes do golpe porque faziam um trabalho intenso de propaganda junto às classes menos favorecidas, dizem outros, que não se perguntam que propaganda pode ser mais efetiva para a parcela dos mais pobres do que uma política de distribuição de renda, hoje ou há cinco décadas.

O discurso é raso e pobre, mas foi usado o suficiente para que o termo “perigo comunista” voltasse a sair da boca do cidadão comum, mais sensível a esse tipo de propaganda, e se tentassem fracassadas (ainda bem!) marchas da família com Deus, a exemplo do que ocorreu no pré-golpe.

sexta-feira, 28 de março de 2014

50 ANOS DO GOLPE: DEBATE ATRAI DEZENAS DE PESSOAS EM JACOBINA.



Na noite de ontem, 27/03/14 aconteceu no auditório de UNEB em Jacobina o primeiro fórum aberto de discussão e relatos sobre o GOLPE MILITAR no Brasil com foco na região de Jacobina. Na oportunidade foram exibidos documentos e registros oficiais dos militares que fizeram interrogatórios em Jacobina, constando o nome de várias pessoas que são tidas como heróis mas na verdade foram os delatores golpistas em nossa região.
O evento contou com a presença dos diversos segmentos sociais, tais como os  professores, estudantes, empresários, parentes de presos políticos, advogados e sindicalistas, o palestrante Prof. Luiz Brasileiro, formado em sociologia e direito pela UFBA fez uma excelente interação com o público provocando momentos de forte emoção ao narrar o episódio do Sr. Ivanilton Costa Silva, grande líder municipal que venceu as eleições para o candidato de Chico Rocha mas  teve de ser desterrado de Jacobina por contrariar interesses dos "poderosos" alinhados aos militares, vale ressaltar que o Dr. Ivanilton foi fraudado na última urna. O professor também discorreu sobre 3 teses que explicavam os motivos do acontecimento do Golpe no Brasil optando por defender a tese mais coesa que seria a de Elio Gaspari onde o autor asseverava que a Ditadura só foi possível por conta da anarquia nos quartéis.
Enfim, o público teve a oportunidade de participar e enriquecer o debate com relatos, opiniões e análises pessoais deste período nebuloso na história do Brasil. 
Agradecemos a todos as pessoas que apoiaram este evento e por conseguinte não deixaram o Golpe passar em branco na memória jacobinense.

Saudações,

segunda-feira, 24 de março de 2014

Entrega simbólica do Estádio José Rocha.



O superintendente da SUDESB esteve neste último domingo 23/03/14 em Jacobina para prestigiar e entregar simbolicamente o estádio José Rocha reformado, o evento também contou com a presença do prefeito e vice-prefeito de Jacobina, vereador Carlinhos da Caixa, presidente do PCdoB Iranildo, militantes e vereadores do partido que prestigiaram a festa. O convênio de R$ 226.000,00 mil reais entre SUDESB e PMJ foi suficiente para melhorar a iluminação, reformar os vestiários, rampas, cabines, pintura geral e toda a estrutura dos alambrados foi trocada, deste modo, o povo de Jacobina pode acompanhar o retorno do seu time num estádio aconchegante, limpo e devidamente pronto para atender os campeonatos baiano e regional por mais alguns anos.
O jogo teve o resultado final de 4x1 para o Jacobina e o Ipitanga amargou sua 2ª derrota na competição, assim podemos dizer que este domingo foi uma tarde de muita alegria e casa cheia para acompanhar o Jacobina assumir a liderança da 2ª divisão do baianão.

Saudações,

quinta-feira, 20 de março de 2014

50 ANOS DO GOLPE E OS SEUS ATORES EM JACOBINA.






 

PROGRAMAÇÃO GERAL

 




DITADURA MILITAR: DIREITO À MEMÓRIA. 50 ANOS DO GOLPE DE 1964


 

LOCAL: AUDITÓRIO DA UNEB – CAMPUS IV





Jacobina, 27/03/2014 às 19hs

27 DE MARÇO (QUINTA-FEIRA)

19:15 às 22:30h  NOTURNO

Atividade 1 – Palestra com Interação.
Componentes: Luiz Brasileiro (Sociólogo/Advogado - UFBA), Bejamin Ferreira de Souza– (Ex-preso político e sindicalista).
Local: Auditório             
Público: estudantes/docentes e publico geral.      
Neste momento estaremos discorrendo sobre  as teses de Thomas Skidmore, René Armand Dreifuss e Elio Gaspari, estes autores subsidiaram estudos e argumentos para explicar  o “porquê” da ocorrência do  Golpe em 1964, a partir deste olhar teórico iremos defender uma linha e interagir com o público.

Atividade 2. Debate: Jacobina de ontem e Jacobina de hoje – 50 anos depois.
Moderador: Professor - Dayvid Sena (Língua Inglesa – UNEB) e demais componentes da Mesa.
Local: Auditório
Público: estudantes/docentes e publico geral.
Discussão aberta para a interação entre os presentes a partir da contextualização e memória local, onde iremos suscitar as condições de ocorrência do GOLPE no Brasil e seus atores em Jacobina, por outro lado,  iremos problematizar o papel Câmara Municipal na criação da Comissão da VERDADE em Jacobina, haja vista que já houve representação com fundamentação e até o momento nada aconteceu para esta concretização, a quem interessa a não investigação? 

segunda-feira, 10 de março de 2014

VENEZUELA: O povo resiste ao sequestro midiático nativo !!!


Internacional

Editorial Punto Final: Por que a Veneuela resiste?

Editorial de Punto Final, Chile

postado em: 07/03/2014


Em 5 de março de 2013, estouraram-se muitas garrafas em Washington, Londres, Madri e Frankfurt para brindar o fim do “pesadelo chavista”. Enquanto os morros de Caracas choravam a morte do presidente Hugo Chávez Frias, os centros de poder global celebravam, convencidos de que seu desaparecimento físico levaria, inevitavelmente, à fragmentação do campo bolivariano. Insistiam que a mudança ocorrida na Venezuela desde 1999 só se explicava pelo “caudilhismo” de seu líder.
Mas, sem Chávez, todo o arcabouço da revolução de desmoronaria em questão de dias e nenhum outro dirigente bolivariano poderia assumir uma liderança capaz de dar continuidade ao processo. Sem Chávez, eles repetiam, morria o chavismo.
Ignoravam que Chávez pertence à linhagem dos libertadores da América Latina, que no último século produziu líderes excepcionais, tais como Sandino, Fidel Castro, Che Guevara ou Salvador Allende. Assim como eles, Chávez transformou em suas as bandeiras dos líderes da primeira – e frustrada – independência da Pátria Latino-americana e as converteu em um projeto político de unidade e integração continental cujo ponto central é a justiça social e o anti-imperialismo.



Diante do cenário de que a morte de Chávez implicaria uma vitória fácil, a oposição conseguiu se unificar para apresentar a candidatura de Henrique Capriles nas eleições de abril de 2013. Capriles desenvolveu sua campanha em uma aberta continuidade com as propostas de Chávez. Seus cartazes estavam repletos de imagens de Simón Bolívar, camuflaram-se com as fores e as formas do chavismo, e em seus discursos não teve vergonha nenhuma em prometer o aprofundamento das políticas sociais desenvolvidas na última década. Essa estratégia teve bastante êxito, mas não o suficiente para vencer Nicolás Maduro, candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).



A derrota de 14 de abril produziu uma primeira fragmentação na oposição venezuelana. Uma parte minoritária abandonou a estratégia eleitoral e se lançou às ruas para questionar violentamente o resultado proclamado por um dos sistemas eleitorais mais confiáveis da América Latina, e verificado por observadores internacionais. Essa ação aventureira custou a vida de inúmeras pessoas. No entanto, a facção majoritária da oposição acabou acatando o resultado, convencida de que levar o governo à derrota era apenas questão de tempo. De olho nas eleições municipais de dezembro de 2013, o setor afinado com Capriles se preparou para uma vitória avassaladora, à qual conferiu caráter plebiscitário. Contudo, nove meses após a morte de Chávez, o PSUV deu mostras de grande capacidade de mobilização – com 48,69% dos votos, ganhou 240 das 337 prefeituras, com uma participação eleitoral superior a 60%.



Por sua vez, Nicolás Maduro, de 51 anos, minou as dúvidas que pairavam sobre sua liderança. Ex-dirigente sindical formado nas filas da Liga Socialista, um partido revolucionário, Maduro foi preparado – assim como outros dirigentes bolivarianos – em meio processo que a Venezuela vive há quinze anos. Foi deputado e presidente da Assembleia Nacional, ministro de Relações Exteriores durante seis anos, vice-presidente executivo da República e presidente interino após a morte de Chávez. Portanto, tem vasta experiência política.



A oposição foi novamente vencida nas eleições municipais de 8 de dezembro de 2013, vendo reduzidos seus tradicionais bastiões em setores acomodados de Caracas e outras cidades. Seu centro mais importante é o Táchira, estado fronteiriço com a Colômbia pelo qual faz o contrabando de milhões de litros de gasolina (na Venezuela, o litro custa 2 centavos de dólar) e milhares de toneladas de alimentos subsidiados que roubam do povo venezuelano.



O novo fracasso eleitoral de 2013 acabou por desgastar a imagem de Capriles, aprofundando a divisão na oposição. A facção mais violenta e antidemocrática, liderada nos últimos tempos por Leopoldo López, um provocador profissional formado nos Estados Unidos, voltou a ganhar terreno. As teses desse setor se assemelham claramente às que se apresentaram no Chile logo após as eleições parlamentares de março de 1973.



Esperando uma vitória esmagadora, a direita chilena e a DC se desconcertaram ao ver como a Unidad Popular incrementou sua votação, chegando a 44%. Essa nova correlação de forçar parlamentares tornava impossível destituir constitucionalmente o presidente Salvador Allende. Os setores golpistas, manipulados pelos Estados Unidos e minoritários até aquele momento, tornaram-se hegemônicos, impondo uma estratégia de desestabilização com duas frentes simultâneas: o desabastecimento de alimentos e outros artigos de primeira necessidade, com o conseguinte mercado negro e fuga de capitais, gerando um clima de confronto nas ruas para levar a população ao desespero, até um ponto de não ter volta. Os grupos armados do Patria y Libertad se encarregaram de semear o terror e de incitar a insurreição burguesa mediante sabotagens e assassinatos. Com as pessoas desesperadas e com medo, segundo essa estratégia, seria possível aceitar passivamente uma solução de força, não importando as consequências. Assim foi.



O roteiro da direita insurrecional do Chile de 73, incluindo a ingerência norte-americana, que enviou nos últimos tempos mais de cem milhões de dólares para a oposição venezuelana, volta a se reproduzir com notável semelhança na terra de Bolívar. No entanto, passaram-se mais de quarenta anos e existem grandes diferenças. A favor dos golpistas de hoje, há um sistema de meios de comunicação muito mais concentrado, controlado pelos poderes hegemônicos. As redes sociais, como Twitter e Facebook, criam a miragem da comunicação instantânea, mas na prática a capacidade de monopolizar e uniformizar os debates em escala massiva passa por uma rede muito diferente. A linha é separada pelas novas “multinacionais” de mídia, como a CNN e o grupo PRISA, articulados com os jornais da Sociedade Interamericana de Imprensa – inimiga história dos povos – e com as estações privadas de rádio e televisão, que atuam como simples correia de transmissão de seus conteúdos. Diante desse “poder de fogo” devastador, as redes de e-mails ou os tweets dos movimentos sociais não são mais do que armas de brinquedo.



Por sua vez, as agências de inteligência dos Estados Unidos aperfeiçoaram o manual golpista, elevando-o a um nível de sofisticação inimaginável em 1973. Basta ver o que ocorreu no Egito e na Ucrânia para compreender. Agora, uma nova tecnologia social e comunicacional é capaz de mobilizar, em questão de dias, massas ultraviolentas – em cujo seio atuam grupos adestrados e bem armados –, convencidas de que estão fazendo uma revolução heroica contra governo débeis e confusos, mas eleitos democraticamente. O resultado do golpe sempre se repete: recoloca no poder os mesmos corruptos e criminosos que já haviam roubado e destruído o país, com a aprovação dos Estados Unidos e da União Europeia. Por certo, os mortos são sempre os pobres, e ninguém assume a responsabilidade pelo enorme custo a se pagar por conta da instabilidade gerada



No entanto, a favor da Venezuela bolivariana – na direção do socialismo, como reiterou o presidente Maduro –, estão alguns fatores muito mais fortes que no Chile de Allende. A lealdade às instituições democráticas por parte das Forças Armadas não parece ter fissuras. Diante da manobra do desabastecimento de alimentos, o governo conseguiu viabilizar uma cadeia de distribuição paralela por meio da PDVSA e da Força Armada Nacional Bolivariana – os Mercal –, que permite atenuar os efeitos mais perversos do boicote empresarial. A situação do povo venezuelano não se compara à do Egito ou à da Ucrânia.



A base popular do chavismo está arraigada em uma clara convicção de defender as conquistas alcançadas na última década, que permitiram aos venezuelanos, apesar das enormes dificuldades, ascender a um nível de vida mais justo por meio de novos direitos, e a uma dignidade nacional impensável sob os governos corruptos e violadores dos direitos humanos dos partidos Acción Democrática (social-democrata) e Copei (democrata cristão), hoje reduzidos a quase nada. A oposição venezuelana conta com aliados no Chile, tanto na direita como na Nueva Mayoría. É preciso lembrar também que o governo de Ricardo Lagos se apressou em reconhecer o fugaz governo golpista do empresário Pedro Carmona, que derrotou por algumas horas o presidente Chávez em abril de 2002.



Diferente do Chile de 1973, a Venezuela conta com um importante marco de cooperação latino-americano. O novo sistema de integração, tecido em diferentes níveis com a Alba, o Mercosul, a Unasul e a Celac, constitui um baluarte em defesa dos processos democráticos, de modo que os grupos rebeldes sabem de antemão que não contarão com o reconhecimento regional se recorrerem à via insurrecional.



Lula, o ex-presidente do Brasil, tinha razão quando se despediu de seu amigo Hugo Chávez com estas palavras: “As pessoas não precisam concordar com tudo que Chávez falava. Tenho que admitir que o presidente venezuelano era uma figura polêmica, que não fugia ao debate e para o qual não existiam temas tabus. É preciso admitir que, muitas vezes, eu achava que seria mais prudente que ele não tentasse falar sobre tudo. Mas essa era uma característica pessoal de Chávez que não deve, nem de longe, ofuscar as suas qualidades (…) ninguém minimamente honesto pode desconhecer o grau de companheirismo, de confiança e mesmo de amor que ele sentia pela causa da integração da América Latina, pela integração da América do Sul e pelos pobres da Venezuela. Poucos dirigentes e líderes políticos, dos muitos que conheci em minha vida, acreditavam tanto na construção da unidade sul-americana e latino-americana como ele”. (1)



Por isso, a Venezuela resiste e resistirá. Enquanto Chávez se mantiver na memória de seu povo, nada nem ninguém poderá derrotá-lo.




(1) Luiz Inácio Lula da Silva. “Latin America After Chávez”. The New York Times, 6 de março de 2013.



(*) Editorial de “Punto Final”, edição nº 799, 7 de março de 2014
revistapuntofinal@movistar.cl 


Tradução: Daniella Cambaúva