domingo, 27 de novembro de 2022

A TV, a Radiodifusão e as Relações de Poder.

 



Certamente a mídia de massa como a TV e o Rádio desenvolvem suas atividades comunicacionais a partir das relações de poder estabelecidas por meio de uma pirâmide social que reflete a organização de classes. Em suma, os mecanismos massivos de comunicação operam para manter o status quo das classes dominantes sobre os ouvintes, destinatários e espectadores de modo geral. Esta característica supracitada pode ser percebida com pouco esforço no interior dos Estados, sobretudo pela importância e abrangência da mídia radiofônica, uma vez que é de praxe escutar a “rádia” como prática cultural consolidada no espaço urbano e rural.

        Neste sentido, pretendemos realizar uma breve reflexão sobre o tema, observando o comportamento das narrativas do rádio no interior da Bahia, em específico na cidade de Jacobina, onde apreciaremos os aspectos relativos às instalação destes dispositivos de massa e sua relação com as classes sociais, buscaremos construir um olhar crítico sobre as deliberações políticas que desembocam no controle e acesso ao discurso público por pequenos grupos sociais historicamente privilegiados.

As relações entre Discurso e Poder Social sempre desembocam no controle dos dispositivos de comunicação, estes embates implicam os diversos tensionamentos políticos, econômicos e socioculturais que sugerem o estabelecimento de uma rede de dominância entre as classes. Pensar que o rádio ou qualquer outra mídia de massa promove a visibilidade das pautas de modo neutro é mera ingenuidade, pois num horizonte capitalista, todas as pautas da comunicação nacional ou local são objeto da disputa política. Dentro deste enquadre, estamos assistindo neste exato momento as relações contraditórias da Copa no Mundo no Catár/2022, onde boa parte da mídia prefere dar visibilidade aos hotéis de luxo, regalias dos jogadores, edifícios grandiosos e outros símbolos de ostentação da riqueza ditadora real, deixando de exibir a exploração da mão de obra em regime de neo escravidão amplamente utilizada para erguer aquelas estruturas de concreto, ou seja, mesmo sabendo-se que milhares de vidas foram ceifadas sem a garantia mínima de direitos/dignidade para os trabalhadores e as famílias órfãs, a venda de produtos e o lucro se sobrepõe a qualquer sentimento de responsabilidade social ou dignidade da pessoa humana. Enfim, este é apenas um exemplo do poder de manipulação da mídia, a qual aponta seu microfone ou sua câmera para o objeto que atende seus interesses financeiros e políticos de primeira hora.

A suposta neutralidade do sujeito falante e destes dispositivos acerca de qualquer fato é uma premissa inalcançável, pois todo fato/acontecimento é passível de interpretação, assim, a instância da interpretação é onde reside o funcionamento das ideologias, são estas redes de sentidos que garantem os significados dos fatos e/ou acontecimentos no plano da interpretação de cada ator social.

            O que poucas pessoas sabem é que os serviços de rádio e televisão no Brasil e no mundo operam por meio de uma concessão pública, ou seja, a União concede uma licença para o uso do espaço "eletromagnético", frequência teoricamente pública geralmente operada por um ente privado. Para adquirir uma destas disputadas permissões é necessário ter boas relações com o Estado, sobretudo com deputados no nível federal, pois é no legislativo que se renova as concessões que são analisadas previamente pelo ministério das comunicações responsável por conceder e publicar os pedidos exigindo em contrapartida privilegiar a função social em detrimento do interesse privado.

Outro fato relevante, sobretudo no Estado da Bahia, as concessões de rádio geralmente são delegadas para particulares em regime de sociedade com os políticos, a exemplo disso podemos citar o caso das rádios Clube Rio do Ouro e da Jacobina FM ambas operando em Jacobina desde os anos 80. A primeira faz parte do grupo que inicialmente teve como sócio o ex-político Pedro Irujo que exerceu 4 mandatos de Deputado Federal e atuava como empresário em diversas áreas, dentre as quais o rádio. A segunda teve participação acionária do também conhecido político Félix Almeida Mendonça, ex-prefeito de Itabuna e deputado estadual e federal pela Bahia.

De modo geral parece existir claramente uma relação de conflito de interesses quando o assunto é a operação dos dispositivos da comunicação de massa, seja em rádio ou TV. Ainda nessa seara, lembramos do famoso episódio de um velho cacique da política baiana, Antônio Carlos Magalhães, na época ocupou o cargo de ministro das Comunicações do governo Sarney (1985-1990) quando contemplou seus aliados políticos com mais de 958 concessões de rádio e TV num eventual flagrante do uso destes mecanismos com moeda de troca política.

Desta forma, é importante avaliar as características sistêmicas das notícias, atentando para suas peculiaridades sociais, culturais, econômicas e políticas abarcadas por uma sociologia cotidiana, recorrentemente evidenciada na produção estrutural das notícias. Isto é, a prática discursiva operacionalizada nos programas de rádio, parecem ser uma forma de eco oriundo das regras que presidem a formação dos discursos, assim, o jornalismo, as propagandas, os editoriais dentre outros tipos de conjunto enunciativos, são regidos e determinados pelos modos de produção da vida material variando pontualmente no embate histórico da luta de classes.

Por conseguinte, as rádios e seus programas educacionais, musicais e jornalísticos são marcados por estas exterioridades, as quais, de certa forma são incorporadas como instrumentos de reprodução ideológica da classe dominante, integrando assim uma espécie de aparelho ideológico do Estado conforme definido por L. Althusser, “palco de uma dura e ininterrupta luta de classes”.


Saudações Democráticas,

Dayvid Sena

Prof. Mestre em Estudos de Linguagens.

sábado, 6 de agosto de 2022

Os sentidos mobilizados pela palavra "Bicões": Uma leitura sobre o funcionamento do rádio em Jacobina.

 
 
"As grandes empresas de mídia brasileiras não querem que o seu formidável poder de indução seja sequer argüido. As grandes empresas de mídia brasileiras estão na contramão do processo democrático baseado na equação poder-e-contrapoder"
 Alberto Dines (20/9/2000)

 

        Ultimamente, um acontecimento social levou muita polêmica para o rádio Jacobinense e para a imprensa local de forma geral. O fato é que durante uma transmissão por meio de rede social, o prefeito de Jacobina utilizou o termo "Bicão"  para se referir aos âncoras das emissoras de rádio local.

        Deste modo, iremos tomar este termo para realizarmos uma breve análise dos sentidos mobilizados pelos dizeres do então prefeito à luz da teoria do discurso de linha francesa. Nesta corrente teórica as palavras, expressões e proposições recebem seus sentidos a partir de formações ideológicas.
        Primeiramente, devemos salientar que o termo "Bicão" não possui o mesmo sentido para quem profere nem para quem escuta. Haja vista que os enunciadores de tais termos se encontram em formações sociais diferentes e, assim, os efeitos destas palavras mobilizam sentidos distintos tanto para os ouvintes/leitores quanto para os autores, ou seja, as repercussões que ocorreram se deram exatamente por conta dos sujeitos falantes estarem em posicionamentos ideológicos diferentes. 
        Para esclarecer melhor, vamos usar um exemplo clássico: Quando o patrão diz/escuta a palavra "salário" ela carrega sentidos totalmente distintos da expressão "salário" para o empregado, enquanto o patrão enxerga uma carga onerosa, o trabalhador vê como algo que precisa ser valorizado e garantido para a sua sobrevivência. Deste modo, o termo "Bicão" quando utilizado por um sujeito ocupante do mais alto cargo do Poder Executivo municipal, deriva sentidos que se referem ao conchavos realizados historicamente entre os prepostos da mídia radiofônica e os "donos" da chave dos cofres públicos. Portanto, a expressão "Bicão" constituiu sentidos que foram interpretados pelos "Bicões" locais como algo não diplomático, já que antes da atual gestão, os acordos entre poder e mídia radiofônica eram realizados de forma privada (por meio de contratos) e raramente o ouvinte percebia porque diante de tantas demandas públicas na zona urbana e rural, os "microfones" conseguiam filtrar as pautas polêmicas evitando discussões que envolvessem os fortes indícios de superfaturamento e/ou corrupção praticados nas gestões anteriores, a gestão dos "doutores e empresários".
      Outro ponto que chama atenção na prática social de boa parte dos "microfones" do rádio, reside na quase inexistência do jornalismo investigativo, o funcionamento deste dispositivos se dá na grande maioria por meio de "copiar e colar" textos/machetes de outros veículos, onde pouco se importa se tais machetes traduzem ou não fatos que refletem a verdade, o que vale mesmo é a propagação de factoides polêmicos e a captação de audiência. Desta forma, é neste cenário que os sentidos produzidos pela expressão "Bicões" ganha significado e se propaga pelas ondas das emissoras de rádio sediadas no município.
        Desde a mudança das rádio educativas (década de 20) para o formato de rádios comerciais, onde o próprio nome já diz, trata-se de um comércio "quem pagar o preço" leva a mercadoria, isto é, a mídia comercial visa desde sempre o lucro de poucos, em detrimento dos anseios de muitos ouvintes, os quais por questões culturais utilizam o rádio geralmente como meio de tentar resolver alguns problemas que por décadas estão sob responsabilidade da seara pública, muitos sem solução até os dias de hoje.
        Além disso, a palavra "Bicões" produz uma espécie de relativização dos discurso do rádio quando afirmam por meio de suas propagandas que o "rádio só fala a verdade", deixando de considerar que uma mídia comercial fala a verdade na medida em que esta suposta verdade não lhe traga prejuízos, ou seja, nem sempre os anseios da coletividade serão defendidos ou debatidos naquele espaço, sobretudo se houver pautas que prejudiquem os interesses do anunciadores pois são eles que pagam para que a propaganda (a impressão) seja transmitida como verdade absoluta. 
        Apenas a título de exemplo, aquele remédio que cura tudo e "ressuscita até defunto" anunciado dia e noite pelos "microfones" dificilmente poderia eventualmente ter seus efeitos de cura questionados, pois os comerciais são consagrados com uma "verdade" irrefutável, operam como uma afirmação não questionável, garantindo seus objetivos finais, a geração de lucro para quem anuncia e para quem vende. Por conseguinte, vamos ficar somente neste exemplo para não aprofundarmos as contradições inscritas na proposição "Bicões".
        Dito isso, gostaríamos de lembrar que as emissoras passaram a reorganizar as pautas de seus programas jornalísticos por força da ruptura histórica ocorrida no Poder Executivo local desde o ano de 2020, geralmente, é por meio de comentários e opiniões proferidas pelos "microfones" que os prefeitos das cidades se sentem coagidos e buscam alianças com os atores do rádio, alguns logo no início outros deixam para queimar as verbas quando está se aproxima o novo pleito eleitoral. Contudo, no caso de Jacobina, vale ressaltar que desde a redemocratização, o Poder Executivo municipal nunca havia sido tirado das mãos dos caciques tradicionais, isto é, sempre transitava de uma família para outra, numa espécie de Dinastia, orbitando numa seara hegemônica constituída geralmente pela classe médica Jacobinense e alguns forasteiros "importados" pela mesma casta.
        Pois bem, adentrando no universo histórico e seu contexto radiofônico,  gostaríamos de destacar um ponto comum na mídia local, durante as gestões lideradas pelas classes supracitadas, boa parte dos programas jornalísticos, optavam estrategicamente por um enfoque nas pautas ligadas ao governo federal, ou seja, os deslocamento do debate para o âmbito federal, deixando de elencar problemas importantes ligados ao universo municipal, este comportamento também se inscreve nos sentidos mobilizados pelos dizeres do prefeito ao sugerir o adjetivo "Bicões". Tanto é que nas últimas 3 décadas, os cofres públicos receberam aproximadamente 22 bilhões de reais e quase nenhuma obra estruturante foi erguida no município, aqui a expressão "bicões" ganha outros contornos que marcam o silêncio de muitos "microfones" supostamente comprometidos com o bem coletivo.  
        Talvez,  se a mídia radiofônica fosse constituída por menos "Bicões" e mais Jornalistas, sobretudo os jornalistas investigativos, o contexto social e político de nossa cidade poderia estar muito melhor, mas ao que parece estas emissoras de radiodifusão ocupam suas pautas e produzem seus editoriais numa perspectiva comercial, haja vista as mais de duas décadas onde a única coisa que se discute são os buracos da cidade e a plataforma da saúde pública que serve como trampolim para os candidatos que almejam o Poder Executivo. Uma pergunta que gostaria de fazer ao leitor, se a saúde pública não funcionar qual segmento profissional deve ganhar com isso? Observem que a luta de classes e as eventuais sabotagens estão em todos os lugares, são exatamente estes embates e os posicionamentos dos sujeitos que determinam os sentidos das palavras e dos enunciados proferidos pelos interlocutores de modo geral. 
        Deste modo, trouxemos à baila alguns elementos que servirão de base comparativa com o cenário atual, uma vez que desde o ano de 2020 após a mudança do espectro político que dominava o Executivo local, gradativamente os "microfones" passaram a enfatizar supostos problemas na gestão municipal. Nesta perspectiva, as forças atuais que ocupam o governo federal parecem ter a simpatia da maioria dos "microfones" que ocupam os estúdios da rádio locais, sobretudo quando observa-se um grande número de jornalistas sendo vítimas cotidianas de ataques e até mesmo agressão durante o exercício de sua profissão, e muito pouco se propaga na pauta do rádio jornalismo, ou seja, o próprio movimento de escolha das pautas nestes programas de rádio já demonstra uma inclinação político que se inscrevem nos sentidos revelados pela expressão "Bicões".
        Não obstante, os efeitos de sentido examinados na materialidade linguística "Bicões" revela que as práticas discursivas encampadas a partir do espaço radiofônico coloca em xeque a premissa de que as emissoras de rádio locais seriam neutras, pois no mundo onde as regras políticas são ditadas pelo capital e seus aparelhos ideológicos, nenhum sujeito e/ou instituição social pode atribuir a si próprio a condição de neutralidade. 
        Por fim, depois das modificações no tabuleiro político municipal e federal, houve uma reconfiguração no funcionamento das práticas ideológicas propagadas pelas "rádias", tais mudanças refletem a nova configuração histórica instalada a partir da reorganização das forças políticas no plano municipal, estadual e federal nos últimos 4 anos. Por isso,  Pêcheux (2014) afirma que é a ideologia que fornece as evidências pelas quais todo mundo sabe o que é um soldado, um operário, um patrão, uma fábrica, uma greve...tais evidências que fazem com que um enunciado "queira dizer o que realmente dizem" e que mascaram, assim, sob a "transparência da linguagem" o caráter material do sentido das palavras e dos enunciados.
        Em conclusão, sabemos da importância do bom jornalismo em prol da democracia e do bem comum, entretanto, quando os dispositivos de comunicação são gerenciados pelo capital privado, os objetivos comuns passam a ser substituídos pelos interesses de pequenos grupos sociais detentores do quarto poder (a mídia de massa) que  disputa o Poder, esta constatação, é facilmente verificada pelos sintomas atuais de parte da comunicação radiofônica local.  O jogo das pautas somado ao tom político pelo qual notícia é levada ao ar, exibe, materialmente, o quanto alguns programas rádio jornalísticos se confundem com torcidas organizadas, tais posicionamentos revelam as práticas ideológicas presentes na conjuntura dada,  a qual determina o estado da luta de classes instalada no momento histórico vigente.

Saudações democráticas, 

Dayvid Sena. 
Mestre em Estudos de Linguagens.

 

domingo, 12 de junho de 2022

AS CHANTAGENS E AMEAÇAS À ORGANIZAÇÃO SINDICAL: UMA ANÁLISE NO TERRENO DOS METALÚRGICOS JACOBINENSES!!!

 


"Quem se ajoelha diante do fato consumado, será incapaz de enfrentar o o futuro" 

Leon Trotksy.


Sabemos que após as reformas da Previdência e Trabalhista, a maioria dos trabalhadores brasileiros perderam uma fatia importante da valorização da mão de obra e do seus direitos, além de uma aposentadoria digna. Associado a estes acontecimentos que se estabeleceram no âmbito federal, a classe trabalhadora tem assistido uma série de ataques quando o assunto é o direito da livre associação sindical. Para falar sobre isso, iremos analisar um caso recente que reflete como estas chantagens contra os trabalhadores ocorrem, afetando os mecanismos de reivindicação dos seus direitos e valorização da mão de obra.

Após anos de lutas e conquistas lideradas pelos o Sindicato dos Metalúrgicos de Jacobina e Região (STIM Jacobina), a categoria vem sofrendo uma série de assédios que estão culminando na demissão de importantes lideranças sindicais. Segundo informações dos metalúrgicos que trabalham nas Torres TEN alguns diretores do supracitado sindicato foram vítimas de demissões sumárias em virtude de suas atividades sindicais. Estes episódios se intensificaram após o STIM organizar a maior paralisação de trabalhadores nos últimos 30 anos de atividade sindical em Jacobina. A mobilização ocorreu no espaço em frente ao Aeródromo local e reuniu mais de 200 trabalhadores, todos mobilizados pela garantia de seus direitos e a valorização da força de trabalho. Ocorre que após esta intervenção do sindicato, todos os diretores e parte dos participantes da mobilização foram demitidos, um a um. Este comportamento da empresa reflete uma série de ameaças e ataques aos direitos e necessidade dos trabalhadores, este tipo de censura constitui ilegalidades que devem ser repreendidas. Tais chantagens afetam o debate e a organização de pauta de modo democrático.

Em virtude desta capacidade de organização e enfrentamento, a direção da TEN resolveu demitir sem justa causa o metalúrgico e presidente do STIM – Rogério Moraes. Mesmo cumprindo com suas atividades laborais cotidianas, o sindicalista foi covardemente reprimido por exercer um direito constitucional garantido na carta magna: todo o trabalhador é livre para se associar ou não no seu respectivo coletivo de classe.

Neste sentido, o momento exige uma reflexão por conta dos trabalhadores e demais setores da sociedade jacobinense, haja vista que tais medidas arbitrárias atingem todos os demais segmentos sindicais e deve ser veementemente repudiado. O momento atual exige uma capacidade de avaliar estes comportamentos como uma posição ideologicamente desfavorável à luta sindical. Casos como estes não podem ficar sem discussão e avaliação dos metalúrgicos e demais trabalhadores de outras esferas. A própria aprovação de uma reforma que enfraquece os ganhos dos trabalhadores e os colocam em situação de vulnerabilidade mostra o quanto necessitamos interpretar estes acontecimentos como algo simbólico, certamente, se os trabalhadores estivessem atentos e conscientes de suas escolhas políticas, “deformas” como a da Previdência e Trabalhista não teriam sido aprovadas, nem mesmo ameaças aos sindicatos.

Portanto, além de observar os acontecimentos no chão da cidade, os demais líderes sindicais devem ser organizar para reformular a luta com vistas à inversão da ordem política ora estabelecida na atmosfera federal com e seus efeitos no chão de cada município e unidade fabril.

Com a proximidade das eleições para o congresso nacional e a presidência da República, cabe a cada trabalhador e trabalhadora avaliar o contexto e fazer escolhas políticas que mostrem nossa indignação com as “deformas” aprovadas pelo congresso, temos a oportunidade única de escolher representantes que defendam os interesses dos trabalhadores e o respeito às conquistas históricas registradas na CLT.

Ao nosso valente guerreiro sindical Rogério Moraes, registramos aqui nossa solidariedade e disposição para retomar a luta em prol dos trabalhadores de nossa cidade, não podemos nos contentar com salários defasados, precariedade das condições de trabalho e de vida, se são os trabalhadores que produzem o lucro e as mercadorias, nada mais justo do que garantir a dignidade e a valorização de todos os metalúrgicos e trabalhadores municipais. A luta irá continuar até que todos os trabalhadores estejam conscientes do seu papel enquanto ente detentor da força motriz na produção da riqueza, esta riqueza, precisa ser descentralizada e dividida de forma justa com os trabalhadores e trabalhadoras de Jacobina.


Saudações Democráticas,


Dayvid Sena.

Professor e Pesquisador em Estudos de Linguagens.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A comunicação das "rádias" jacobinenses e a definição de suas pautas: Uma abordagem política.


"Jornalismo é serviço público, não espetáculo" Alberto Dines.

    No intuito de retomar as reflexões sobre a nossa atmosfera sociopolítica municipal, sobretudo após um ano assistindo o comportamento discursivo dos microfones das rádios no que tange às pautas jornalísticas sobre a política local, vamos examinar alguns aspectos da comunicação radiofônica sob uma ótica crítica, sem a pretensão de ofender quem quer que seja, mas investigando as ondas do rádio como um objeto de estudo, um organismo ideológico integrado ao tecido social.  
    Neste sentido, salientamos que o conjunto das emissoras de rádio locais, se caracterizam como rádios comerciais, ou seja, veículos de informação que possuem sua atividade essencialmente baseada na venda de produtos e propagandas por meio da publicidade patrocinada, seja com recursos privados ou  públicos. 
    Dito isso, traçaremos uma pequena análise do modo como estas emissoras passaram a organizar a pauta de seus programas jornalísticos, sobretudo após a ruptura histórica nas forças que ora conduziam o Poder Executivo local. Aqui, vale ressaltar que desde a redemocratização, o Poder Executivo municipal nunca havia sido tirado das mãos dos caciques tradicionais, isto é, sempre transitava de uma família para outra, numa espécie de Dinastia, orbitando numa seara hegemônica constituída geralmente pela classe médica jacobinense. 
    Pois bem, adentrando em nossa observação, inicialmente gostaríamos de destacar um ponto comum na mídia local, durante as gestões lideradas pelas classes supracitadas, boa parte dos programas jornalísticos, optavam por um enfoque nas pautas ligadas ao governo federal, ou seja, a maioria dos "microfones" deslocava o debate para o âmbito federal, deixando de elencar problemas importantes ligados ao universo municipal, tanto é que nas últimas 3 décadas, os cofres públicos receberam aproximadamente 22 bilhões de reais e quase nenhuma obra estruturante foi erguida no município, tudo isso, sob o silêncio de muitos "microfones" supostamente comprometidos com o bem coletivo. 
    Neste ponto, vale ressaltar que durante esse período,  a mídia local intensificou sua cobertura nas manchetes com enfoque majoritário em atos do governo federal, especificamente, a partir do ano de 2002, quando pela primeira vez no século XXI houve um governo fora da atmosfera hegemônica, isto é, fora do eixo das forças dominantes, quando o povo elegeu um presidente das bases. 
    Deste modo, trouxemos à baila alguns fatos que servirão de base comparativa com o cenário atual, uma vez que desde o ano de 2016 houve mudança no governo federal e logo depois (2020) também no governo municipal. Nesta perspectiva, as forças atuais que ocupam o governo federal parecem ter a simpatia da maioria dos dispositivos de rádio comunicação municipal, sobretudo quando observa-se um grande número de jornalistas sendo vítimas cotidianas de ameaças e até agressões por parte do atual presidente e seus prepostos, mas raramente os radialistas pautam as mazelas do desgoverno federal, haja vista que até a derrubada do governo em 2016, a enfase na esfera federal era realizado de forma recorrente e constante, portanto, tal comportamento anula a premissa de que os "microfones" das rádios locais são neutros, pois no mundo onde as regras políticas são ditadas pelo capital e as ideologias, nenhum sujeito e/ou instituição social pode atribuir a si próprio, condição de neutralidade. 
    Não obstante, depois das modificações no tabuleiro político municipal e federal, uma questão que vêm chamando a nossa atenção, reside exatamente no novo formato da organização da pauta jornalística. Antes, o foco maior era os supostos problemas do governo federal, agora, o foco é quase que total na administração municipal com destaque para o que os atores midiáticos chamam de "erros", afinal, sabemos que toda atividade humana é passível de erros e acertos, mas ultimamente, na interpretação dos "pregadores" do rádio, a recém empossada gestão municipal somente é capaz de cometer "pecados". 
    Geralmente, a maioria das abordagens visam desqualificar as ações do governo municipal.  Ao que parece, a mídia local, por algum motivo, elegeu o primeiro governo liderado por um lavrador rural, ou seja, por um sujeito que não integra as classes historicamente dominantes, como o responsável pela criação e solução de todos os problemas históricos vivenciados na administração pública jacobinense. 
    Vale ressaltar que nos últimos 30 anos de governos liderados por médicos e pessoas apoiadas por tal segmento, dificilmente se viu tantos investimentos na sede e na zona rural, inclusive qualquer pessoa pode comparar levantando o montante de recursos públicos que passaram pela prefeitura nos últimos 30 anos e as respectivas obras realizadas com recursos próprios, levando em conta uma dimensão proporcional ao tempo de governo, sobretudo por se tratar do primeiro ano de governo fora do eixo administrativo dos "doutores". 
    Para Bourdieu (1979), novas relações estruturais estão sendo estabelecidas entre domínios da vida social, redes de práticas sociais ou campos, notavelmente estes instrumentos de comunicação em massa contribuem e talvez condicionam a forma e o modo como os sujeitos deverão perceber, enxergar o mundo material a partir de uma dimensão global, regional, nacional e local baseada na reprodução de um discurso dominante, mas a cada instante, o papel destas narrativas estão perdendo a credibilidade no seio social, sobretudo pela forma parcial pela qual boa parte da mídia comercial serve aos interesses dominantes. Assim, a questão não é apenas pautar o acontecimento/fato, mas a forma como é pautada essa ou aquela notícia, os contornos discursivos onde se revela os posicionamentos ideológicos/políticos.
    A partir de uma abordagem linguística, é possível estudar e revelar o funcionamento discursivo dos atores radiofônicos bem como do discurso político na esfera municipal. Segundo Dijk (2008, p. 87) "uma das tarefas mais cruciais da análise crítica do discurso é explicar as relações entre o discurso e o poder social, mais especificamente, como o abuso de poder é praticado, reproduzido e legitimado pelo texto e pela fala de grupos ou instituições dominantes". Deste modo, uma das ferramentas primordiais neste tipo de manipulação, certamente é a mídia de massa tradicional, estes mecanismos penetram em todas as camadas sociais desempenhando um papel decisivo na formatação da opinião pública. Contudo, ele não é soberano, o advento de novas tecnologias a exemplo das redes sociais, blogs, Podcasts têm sido um contraponto importante na propagação de contra-discursos no contexto das disputas que giram em torno das administrações públicas.
    Por fim, sabemos da importância do bom jornalismo em prol da democracia e do bem comum, entretanto, quando os dispositivos de comunicação são gerenciados pelo capital privado, os objetivos comuns passam a ser substituídos pelos interesses de pequenos grupos sociais que detêm o capital e disputam o Poder, esta constatação, é facilmente verificada pelos sintomas atuais de parte da comunicação radiofônica local.  O jogo das pautas somado ao tom político pelo qual notícia é levada ao ar, exibe, materialmente, o quanto alguns veículos se tornaram torcidas organizadas, tais condutas eram bastante ofuscadas durante as gestões passadas.
    Em conclusão, Charaudeau (2016) afirma que o manipulador não revela sua intenção ou seu projeto, e o disfarça sob um discurso contrário ou sob outro projeto apresentado como favorável ao manipulado.  

Saudações democráticas, 

Dayvid Sena. 
     
       
     

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

OBRAS ESTRUTURANTES MELHORAM O TRÂNSITO E A VIDA DAS PESSOAS EM JACOBINA

 



Após 10 meses de gestão municipal liderada pelo prefeito Tiago Dias e a instalação de uma usina de asfalto no município de Jacobina têm levado obras que repercutem em grande melhoria do  piso da cidade. Muitas ruas que não foram preparadas para receber o tráfego pesado e intenso de veículos, fato que passou a existir após uma mudança  realizada no fluxo do trânsito central desde o ano de 2012, quando passou a surgir vários problemas para o piso da cidade, ou seja, surgimento de buracos e afundamento de paralelos, haja vista que ruas antes não eram movimentadas e passaram a receber uma alta intensidade de veículos sem o devido estudo prévio.


Neste sentido,  a gestão recém empossada tem realizado intervenções significativas na requalificação destas artérias  e vias transversais essenciais para o fluxo de cargas e mercadorias no centro da cidade, inclusive avançando em locais que ultimamente não se imaginava a chegada de uma pavimentação asfáltica, como no caso de distritos da zona rural e pátios de instituições públicas.  


Os impactos positivos destas ações já podem ser observados tanto pelos transeuntes quanto pelos reflexos na mídia local, as rádios que gastavam boa parte de suas pautas recebendo reclamações de ouvintes acerca da situação dos buracos na cidade, agora observa que essa realidade aos poucos está sendo silenciada pelos bons ventos que ora melhoram a infraestrutura básica de nossa cidade. Diga-se de passagem, desde 1988 nenhuma gestão ousou a fazer o óbvio no quesito de qualificação para as ruas de Jacobina.

Em contrapartida, é de grande importância que as secretarias do Meio Ambiente e Obras observem os devidos estudos de impactos ambientais, estéticos estruturais quando o assunto for a levada de massa asfáltica para locais que possuem nascentes e afluentes de rios, pois a chegada deste tipo de inovação, podem gerar resultados negativos e irreversíveis para o ecossistema do lugar. Vale ressaltar que, isso vale tanto para as iniciativas do ente público quanto para as de natureza privada, sem esse cuidado técnico, alguns mananciais e zonas de turismo/lazer podem ser afetados por iniciativas não sustentáveis que provocam destruição e especulação imobiliária, como o caso de alguns distritos os quais já estão sofrendo com intervenções ou omissões que no passado, eram realizadas sobre o pretexto de desenvolvimento do turismo e fortalecimento da economia, mas  atualmente, a realidade é falta de água, poluição sonora e ameça aos seus mananciais. 

Por fim, a população de Jacobina almeja que possamos de fato ter, no quesito pavimentação, a qualificação dos espaços públicos da cidade, seja na sede ou nos distritos, pois, a maioria dos eleitores de Jacobina, cansados de tanto descaso e mau uso dos recursos públicos, apostaram suas fichas numa proposta política diferente e comprometida com os anseios sociais não atendidos pelas gestões anteriores. Logo, o momento atual proporciona uma oportunidade histórica de fazer o que precisa ser feito nos moldes do LIMPE - Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. 

Saudações Democráticas,


   

          

    

sexta-feira, 23 de julho de 2021

JACOBINA E OS 141 ANOS DE “EMANCIPAÇÃO POLÍTICA”.

Foto: www.google.images


A cidade é imediatamente, de fato, a concentração da população, dos instrumentos de produção, do capital, dos prazeres, das necessidades, ao passo que o campo torna patente precisamente a realidade oposta, o isolamento e a solidão” 
(A ideologia alemã, 2009).

        Resolvemos escrever essa breve reflexão para ponderar acerca das coisas que envolvem a chamada “emancipação de um cidade” e os respectivos interesses e representações que os grupos sociais fazem sobre esta condição.

        No texto anterior, publicado no site Observatório de Jacobina, levantamos algumas considerações sobre a ruptura histórica que envolvia o processo político eleitoral no ano de 2020, naquele episódio, fizemos uma leitura dentro dos grupos políticos hegemônicos denominados Jacús e Carcarás. Deste modo, queremos retomar algumas coisas importantes que foram pontuadas de forma subjacente naquele texto.

        Em primeiro lugar, o principal traço que mobiliza os meios de comunicação e seus atores a promoverem sentimentos de orgulho e autonomia em relação à cidade, reside na condição de autonomia (administrativa, financeira e política) atribuições que foram conferidas a partir de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, ou seja, todas as cidades passaram a gozar de recursos próprios em seus cofres, isto é, autonomia para gerir estes recursos mediante aprovação eleitoral.

        É neste contexto que a emancipação municipal desencadeou uma corrida desenfreada pelo poder e o acesso ao que denominamos “a chave do cofre”. Do ponto de vista prático, a comemoração da emancipação de uma cidade só interessa materialmente aos grupos que desde 1988 controlam e conquistam o poder em diversas cidades do interior da Bahia. Na prática, o que muda são as narrativas, muito pouco no formato de gerir as cidades foi modificado, em grande parte, as práticas refletem o cenário do período que antecedeu a redemocratização do país, os antigos coronéis representados por suas famílias e empresas, migram a seu bel prazer de uma esfera política para outra, mantendo sua hegemonia sobre as administrações e controle “material e espiritual¹” das cidades.

        Portanto, quando somos convidados a entrar na atmosfera de comemoração emancipatória, precisamos refletir sobre quais elementos caminham pelo pano de fundo desta tal “emancipação”. Em segundo lugar, precisamos entender que tipo de benesses materiais a sociedade em sua maioria, tem recebido nestes supostos 141 anos de emancipação. Vejam bem, trata-se praticamente um século e meio de “emancipação” e quais são as verdadeiras conquistas que a comunidade jacobinense e região tem recebido para se sentirem na obrigação de comemorar? Ao que parece, nossa cidade, possui belos castelos erguidos em sua sede, muitos deles para serem alugados às custas de recursos públicos, inclusive, em alguns casos, estes bens levantam uma série de dúvidas sobre a sua condição particular ou pública, no que tange aos meios de sua gênese. Além disso, a cidade possui o título de “cidade mãe” cidade polo, cidade do ouro, esses atributos ao longo de quase dois séculos conseguiram tornar nossa cidade de fato emancipada, humanizada, menos desigual? As estruturas físicas de escolas, creches, hospitais, feiras livres, praças, estradas (rurais e urbanas) dentre outras questões básicas refletem a tal emancipação? Até que ponto as riquezas de nosso município são transformadas em benefícios reais e concretos para os seus munícipes? Quem souber responder, ganha um “chocolate copenhagen”.

        É importante lembrar que independente de sua reposta ser positiva ou negativa, a verdadeira emancipação e libertação de uma cidade não se dá por meio de heróis, mitos, personagens ou discursos moralistas, esses só servem para esconder o verdadeiro desejo que move boa parte dos atores políticos sociais: o Poder. De um lado, o que de fato pode libertar e emancipar uma cidade é o sentimento de comunidade, de pertencimento e respeito pela coisa pública, por outro lado, uma auto fiscalização cidadã, o fortalecimento de conselhos, associações e cooperativas não submissas aos eventuais caprichos pessoais de seus líderes, mas organizadas em torno de demandas coletivas, verdadeiramente isonômicas. Aparentemente, num exame material e espiritual objetivo do contexto jacobinense, facilmente percebemos que estamos um tanto longe de conquistar esta dita emancipação, entretanto, a mobilização e o engajamento atrelado ao uso das ferramentas virtuais e físicas, podem auxiliar na superação destes dilemas.

        Por fim, acreditamos que seja de grande importância incitar festejos e entretenimento pela passagem de datas comemorativas, contudo, é essencial estarmos alertas acerca da impressão que se constrói em torno das emancipações das cidades. Junto a tais festejos, almejamos também a construção de fóruns, debates, exposições artísticas, peças teatrais, dentre outras linguagens que permitam outras compreensões e sentidos sobre a emancipação de uma cidade e seu povo, em outras palavras, a construção de momentos de reflexão coletiva e interações transparentes sobre o verdadeiro conceito de emancipação e quais caminhos se deve trilhar para que as gerações futuras possam, um dia, viver uma emancipação concreta em sua cidade.

        Dito isso, a verdadeira emancipação somente pode ser concretizada, no dia que a maioria dos cidadãos compreenderem que a “chave do cofre” é de responsabilidade de todos e todas, logo, através de um movimento amplo de consciência coletiva, buscar meios de emancipação política da Jacobina e dos seus integrantes, num movimento que envolva o aniquilamento de paixões historicamente materializadas em prol de pequenos grupos emancipados. A partir deste dia, podemos dizer que vivemos e temos uma cidade EMANCIPADA.

Saudações Democrática, Dayvid Sena.




1 A referência ao termo material e espiritual se fundamenta na premissa desenvolvida por Marx e Engels (2009) no livro a Ideologia Alemã, onde os mesmos afirmaram que a classe que detêm os bens materiais (empresários, industriais, coronéis, clérigos religiosos) ou seja, a classe dominante, teria ao mesmo tempo o poder espiritual. Aqui a palavra Espiritual não carrega o sentido cristão, mas o conceito de saber, conhecimento, informações que seria dominantes sobre a sociedade, em nosso caso, sobre a cidade e seus atores.


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A Virada Política de Jacobina e a estruturação de um Governo Híbrido.




É verdade que o povo jacobinense se surpreendeu com a chegada de uma liderança política jovem e estranha aos coronéis políticos locais, um ícone que construiu sua trajetória a partir da organização de associativismo rural, trabalho que lhe rendeu dois mandatos de vereador e o recém iniciado mandato de prefeito na cidade de Jacobina.

Entretanto, a coesão vitoriosa desta façanha não seria possível sem articulação de atores políticos de vários partidos e grupos sociais distintos, todos envolvidos por uma narrativa discursiva de confronto às práticas viciadas decorrentes do sistema político hegemônico. Neste sentido, o candidato pleiteante ao cargo de prefeito encampou uma série de discursos que ecoaram no imaginário social de modo  persuasivo a maioria dos eleitores. Todavia, o sentimento de mudança nos rumos políticos de Jacobina também era um reflexo sintomático do cenário politico nacional, fato que foi bem aproveitado pelo grupo que orbitou a candidatura.

A caminhada política de Tiago Dias, agora prefeito, reflete uma postura de enfrentamento ao modelo de gestão pública instalado na maioria dos sertões nordestinos, onde uma figura populista, geralmente oriunda de família abastada, exercia o Poder com o apoio de um pequeno grupo que lhe prestou apoio financeiro para alçar o Poder. Desta forma, o prefeito Tiago Dias (PCdoB), até o dia da posse, conseguiu manter um formato historicamente distinto do que acabamos de citar. Decorrido o prazo de diplomação e assunção do cargo, inicia-se a composição de um novo governo, ao que parece, o foco na campanha eleitoral e sua operacionalização deixou algumas lacunas nos critérios que seriam seguidos num eventual resultado eleitoral vitoriosos, sobretudo por ser fruto de uma coligação formada por aproximadamente 9 legendas, destas, 5 com comissões diretivas ativas. Por este viés, o governo “Dias Melhores” teve seu início priorizando as composição dos cargos de secretariado onde o PP teve 2 cargos, 2 do Podemos, 1 do PSB, 1 do PL sendo os demais escolhidos dentro da alçada pessoal do prefeito eleito.

Um fato interessante neste contexto decorre da delegação para escolha de 2 secretários pelos segmentos sindicais da APLB e da CDL respectivamente defensores dos interesses dos docentes e dirigentes lojistas da cidade. Numa breve análise à luz do referencial teórico de Maingueneau que versa sobre o “Ethos Discursivo” ou seja, a imagem que o prefeito buscou passar com esse ato de delegação para as entidades sindicais foi de que seu governo teria espaço para uma participação democrática extrapartidária, ainda que estas instituições tivessem distintos posicionamentos políticos ideológicos, inclusive contraditórios quanto aos assuntos políticos de seu espectro originário. Por conseguinte, ressaltamos que trata-se da formação de um governo híbrido, exceto as nomeações que foram decorrentes da indicação sindical (Patronato e Professores), as demais nomeações foram ocorrendo em sua maioria por encaminhamentos pessoais de agentes políticos que controlavam os supracitados partidos, grande parte sem debates coletivos ou deliberações intra-partidária ampla e democráticas, talvez por isso, colheu-se resultados adversos como no caso da disputa pela presidência do Legislativo Municipal, estes fatos devem ser examinados pois temos uma tarefa histórica e não devemos comungar com um eventual governo baseado no “toma lá da cá”.

Portanto, surgem alguns questionamentos: Até que ponto um governo híbrido sem um programa comum ( Elaborado, Conhecido e Integrado por todas pastas da máquina pública) que defenda as pessoas e os trabalhadores (as) em risco social, uma agenda que de fato seja fruto de deliberações coletivas da sociedade, partidos e instituições que emergem dela, contemplando o que o candidato chamava de transparência e participação popular, pode se fortalecer para além da virtualização em redes sociais? Qual é a expectativa do governo sobre a conduta operacional da administração pública no que tange ao combate dos vícios enraizados historicamente no fazer administrativo da maioria das cidades? O ato recentemente publicado para contratação (inexigibilidade licitatória) de “advogados” é um ato legal, entretanto pode dar motivos para outras interpretações, concordam? Teriam essas evidências alguma semelhança com os modelos coronelista anteriores? Seria o aumento compulsório da TIP (Taxa de Iluminação Pública) um exemplo significativo de que agora “somos o Estado”? “Somos” mesmo, porém que sejamos um Estado mais humano e consideremos as circunstâncias da população em sua maioria, essa é a nossa singela expectativa. Sabe-se que os sinais dados pelas urnas de Jacobina exige uma compreensão ampla, sob pena de se manter os mesmos problemas alimentados nos últimos 30 anos, sendo que desta vez, não podemos maquiar com marketing, paixões ou idolatrias, deixemos isso de lado e façamos uma gestão qualitativa do erário.

Em conclusão, nossas inquietações são fruto de um olhar cidadão que percebe de forma desapegada e crítica o momento histórico que conquistamos, pois, não desejamos que os interesses individuais de figuras orbitantes do Poder possam atrapalhar as expectativas de uma sociedade que vive há mais de trinta anos num dualismo político vazio e talvez responsável, em parte, pelos mais perversos prejuízos econômicos, histórico-culturais e estruturais para nossa cidade, um pequeno recorte desta constatação, é o fato dos últimos 12 anos as pautas das rádios girarem em torno de “buracos na rua” e “lâmpadas em postes” dentre outra demandas elementares para uma cidade do porte de nossa querida Jacobina. Precisamos avançar, cabe a cada um de nós construir Dias Melhores de Verdade !!!

Saudações Democráticas,

Dayvid Sena

Vice-Presidente do PCdoB Eleito - Filiado desde 2004