Protógenes diz que Dantas e Cachoeira tinham esquemas parecidos na mídia
por
Luiz Carlos Azenha
O deputado e delegado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) pretende
pedir ao Conselho de Ética da Câmara a cassação dos deputados Sérgio
Guerra (PSDB-PE) e Rogério Marinho (PSDB-RN) por quebra de decoro
parlamentar. Segundo imagens que obteve recentemente, gravadas pelo
circuito interno da Câmara, Guerra indicou e Marinho destruiu um cartaz
pedindo a CPI da Privataria Tucana que estava na porta do gabinete de
Protógenes.
Será chumbo trocado, já que Guerra pediu a cassação de Protógenes ao
Conselho de Ética por causa das gravações telefônicas obtidas durante a
operação Monte Carlo, que flagraram o deputado comunista conversando com
Dadá (ou Chico), o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias Araújo. A
denúncia contra Protógenes
foi primeiro divulgada pelo Estadão.
O deputado sustenta que herdou um relacionamento profissional com Dadá
de quando o sargento atuou na Operação Satiagraha, como agente lotado na
Agência Brasileira de Informações (ABIN). As gravações foram usadas
numa tentativa de evitar que Protógenes fosse indicado para atuar na
CPMI do Cachoeira, recém-instalada no Congresso, o que acabou
acontecendo por decisão do PCdoB.
Em entrevista gravada esta noite, logo depois de desembarcar em São
Paulo, Protógenes não descartou que por trás de Guerra esteja agindo um
dos alvos da Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas.
Pela lógica, um relacionamento comprometedor com Dadá seria motivo
para Protógenes tentar evitar a CPMI, quando foi ele quem apresentou o
requerimento inicial de convocação.
Protógenes diz que um de seus objetivos na CPMI do Cachoeira será
investigar o financiamento de campanhas feito pela empreiteira Delta.
Para ele, a Operação Satiagraha, a CPMI do Cachoeira e a CPI da
Privataria são ações “estruturantes” do Brasil. Protógenes está convicto
de que a comissão de inquérito para apurar as privatizações da era
tucana, baseada no livro do repórter Amaury Ribeiro Jr., será
eventualmente instalada.
Protógenes diz que quando Dadá — que ele chama sempre de Idalberto —
participou da Satiagraha, não sabia do envolvimento dele com o esquema
de arapongagem de Cachoeira. Mas é óbvio que implicar Protógenes com
malfeitos do sargento serve tanto a tucanos quanto a Daniel Dantas.
Sobre sua atuação na CPMI, o deputado diz que pretende demonstrar
como os esquemas de Daniel Dantas e Carlinhos Cachoeira usavam métodos
parecidos: arapongagem, corrupção de autoridades e um braço midiático.
O blog Cachoeira de Dados, um dos que fazem varredura na íntegra da Operação Monte Carlo — vazada na internet pelo deputado Miro Teixeira,
no blog Lei dos Homens — vem relacionando os jornalistas e órgãos envolvidos com a quadrilha.
O post mais recente é sobre uma ligação telefônica com indícios de
pagamento de 10 mil reais ao jornal goiano Diário da Manhã. Este é o jornal que chamou a atenção do
Viomundo quando deu uma manchete que contradizia o conteúdo publicado.
A manchete, em letras garrafais, se baseava em declaração segundo a
qual não havia relação de políticos com o esquema do bicheiro Cachoeira.
Texto assinado por procuradores, que o jornal publicou na mesma edição,
dizia o contrário.
O jornal O Estado de Goiás, de Anápolis, também prestaria serviços a Cachoeira,
assim como João Unes, do jornal digital
A Redação, ex-repórter de
O Estado de S. Paulo, ex-editor do jornal
O Popular e da TV Anhanguera, da Organização Jaime Câmara, afiliada da Globo em Goiás e Tocantins.
O blog também registra a amizade de Cachoeira
com o repórter Renato Alves, do Correio Braziliense. Há indícios de que a quadrilha do bicheiro teria usado uma pessoa identificada apenas como
“rapaz do G” para plantar uma reportagem no Fantástico sobre bingos ilegais de concorrentes de Cachoeira (detalhes no
Doladodelá e no
Escrevinhador.
Fonte:www.viomundo.com.br