sábado, 24 de março de 2012

A Verdadeira Revolução se alicerça na Educação!!!

o

Nos últimos dias assistimos uma mobilização nacional da classe dos professores em prol de melhorias para educação nos Municipios, Estados e União onde inicialmente o foco principal foi a garantia de um piso salarial para a profissão que segundo pesquisa internacional é a mais importante para a evolução de uma sociedade em todos os seus segmentos. Diante deste movimento que ganhou contornos nacionais convidamos o leitor a refletir sobre alguns pontos que poderiam "caso os gestores públicos fossem inteligentes" alavancar o desenvolvimento local e avançar nos resultados sociais, pois infelizmente a educação sempre foi tratada em nosso país de maneira jocosa. Por outro lado, sabe-se que dentre os setores que têm verbas destinadas com maior quantidade figura-se a educação, contudo com o passar dos anos percebemos que muito pouco ou quase nada se tem feito para diminuir o problemas deste que é um direito social garantido pela constituição de 1988. 
Por conseguinte,  chegamos a seguinte indagação: Um piso salarial para o professor iria resolver o problema da educação em nossas escolas? Claro que não, além de valorização profissional e qualificação da mão de obra precisamos que as prefeituras que estão na ponta da linha quando o quesito é melhoria dos indices do IDEB, façam sua parte, garantido não só  o piso mas também uma formulação de Plano de Carreira dos professores, melhoria da estrutura fisica das escolas, dotando-as de recursos tecnológicos e capacitando os profissionais para utiliza-los, construindo assim um ambiente propicio para o aprendizado, agregando som, iimagem e movimento, explorando sem esgotar as competências cognitivas de cada aluno. Paulo Freira sempre afirmou que " Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante" logo concluimos que para dar sentido às nossas ações precisamos no minimo condições fisicas e intelectuais para abstrair da mensagem não só aquilo que está sendo dito mas o que está na subjetividade da palavra.
Bem, no que compete as esferas federais e estaduais já sabemos muito bem a realidade e o que os governos têm feito para alcançar algum avanço, mas o que as nossas cidades inseridas no contexto regional já fizeram para melhorar a educação dos seus municipios?? Vamos arriscar algumas sugestões... pintura de muros todos os anos? perseguição aos educadores que tentam reunir e discutir melhorias para a educação local?Aquisição de ônibus novos e recursos didáticos para os alunos e professores? Realmente sabemos que com raras excessões o que temos presenciado na nossa região é um mergulho quase sem volta no atraso e na letargia administrativa quando o quesito é educação, a maioria dos prefeitos têm os professores como inimigos pois estes são pessoas que trabalham no sentido de esclarecer a população e torna-los mais conscientes de suas funções na solução dos problemas que assolam a maioria dos municipios, deste modo, não apoiam as iniciativas que visem dar subsidios legais para a melhoria das condições de trabalho na escola. Ao contrário de Jacobina que nos últimos 3 anos ao invés de dar o piso e votar um plano de carreira descente, somente pisou nos professores, os municipios de Várzea Nova, Mirangaba e Miguel Calmon foram os ícones no quesito respeito e valorização da educação municipal, garatiram o piso aos professores, concedem independência para os diretores aplicarem os recursos do PNDE na escola e estão discutindo a formulação de plano de carreira já em estágios avançados, portanto, cidades com porte e orçamento menores que Jacobina se mostram bem mais inteligentes e têm atraído bastantes profissionais para atuarem em suas escolas, assim, já estão colhendo os frutos sociais de suas escolhas em relação ao tratamento que dão à educação. 
Enfim, deixo a seguinte mensagem aos professores de Jacobina e região "só existe duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar e eu não vou me resignar nunca" (D. Ribeiro), força e vitória aos professores de Jacobina e demais cidades que estão na luta.

Saudações,

domingo, 18 de março de 2012

PC DO B – JACOBINA DEBATE SUCESSÃO MUNICIPAL E OS 90 ANOS DO PARTIDO.



Com a presença do Presidente Estadual do Pc do B, foi realizado no último dia 17 de março no sindicado dos comerciários de Jacobina uma plenária com a participação de diversos representantes partidários e da sociedade civil organizada. Neste evento que contou com vários momentos emocionantes como o da lembrança e minuto de silêncio em homenagem ao exemplo deixado pelo mestre Davi que a poucos dias faleceu e foi um dos fundadores do partido, ocorreram também diversas manifestações verbais no sentido de deixar claro que a sociedade Jacobinense precisa se libertar deste sistema opressor que hoje está no comando da "gestão municipal".
Com a presença de Ramon Santos (PMDB), Humberto Teixeira (PT), Fagundes (PPS), e o Sr. Joaquim (PSB) a oposição ratificou que está unida e que todos os esforços necessários serão implementados para resgatar a autoestima do povo Jacobinense. Associações,Sindicatos, ONGs entre outras entidades que representam a sociedade civil organizada estiveram presentes e engrossaram o discurso de insatisfação com o modelo de "deserviço público" instaurado na cidade de Jacobina (falta de resolutividade nos hospitais, negligência no atendimento, Caps abandonado, Restaurante popular fechado e o maior numéro de óbitos de jacobinenses por ausência de atendimentos de urgência e emergência), este contexto tem sido o combustivél para alavancar uma possivél vitória esmagadora da oposição sobre a situação, pois o povo de Jacobina não suporta mais tanto descaso e insensibilidade com o sofrimento alheio.
Durante o pronunciamento do Dep. Federal Daniel Almeida,  afirmou que "Jacobina é prioridade para o PC do B" e que um projeto coerente que atenda as demandas do povo irá libertar a cidade deste caos, e acrescentou " é fim de linha para este desgoverno que está ai" e finalizaou dizendo " é imperativo a unidade das forças de oposição para derrotar este governo", vale ressaltar que antes desta reunião, o Deputado Daniel aproveitou para visitar obras que foram resultados de pleitos encaminhados no exercicio de seu mandato como o CEFET e a Quadra Poliesportiva da Jacobina III que está em construção em Jacobina. Carlinhos da Caixa, presidente do diretório municipal confirmou que " a oposição de Jacobina caminha unida" e acrescentou dizendo que a responsabilidade do partido é grande neste contexto ratificando que não irá medir esforços para impedir que surja qualquer possibilidade de continuidade deste "roxinol" continar acabando com a qualidade de vida e a autoestima do Jacobinense.
Enfim, o candidato do partido a prefeito Zé Amin Hassan falou sobre sua experiência como administrador, empresário e Secretário de Obras no governo de Rui Macedo, e disparou dizendo que o povo de Jacobina não pode continuar sendo tratado como lixo, a cidade carece de projetos e obras que repercutam diretamente no desenvolvimento socio-economico local e consequentemente na qualidade de vida do cidadão, sendo assim, o Pc do B têm projeto e estará nos próximos dias colocando a disposição da sociedade para juntos acrescentar, modificar e moldar um modelo definitivo de projeto com participação popular.
Por conseguinte, vamos aguardar e participar dando a nossa sugestão pois unidos somos mais fortes de que qualquer manobra que vise derramar dinheiro para cooptar votos, acreditamos que o povo está de olhos abertos e não vai aceitar qualquer esmola em troca de sua liberdade e de melhores dias para a coletividade.


Avante Jacobina !!!





domingo, 11 de março de 2012

A atmosfera política de Jacobina.




A atmosfera política de Jacobina:  Do Poder e da CO ação do capital. – Parte 1

Após um breve passeio pela cidade, constatamos que a atmosfera política já está aquecida  em Jacobina, um grupinho aqui outro acolá e assim começa a construção de discursos pró e contra a administração local. Contudo, o que se sabe é que as torneiras estão jorrando com mais pressão, coisa que é natural dado o aproximar do pleito eleitoral, geralmente no ano eleitoral milagres costumam acontecer e processos de santificação também, logo identificamos o primeiro deles: 1º) A micareta já está confirmada e irá ocorrer na data correta, coisa que não acontecia há anos e vem com atrações pesadas como a Claudia Leite. Agora eu lhe pergunto diante das diversas negativas dadas por esta administração sobre a instalação da UTI, LACEN e SAMU, alegando falta de recursos será que a população vai engolir um cachê de 1 milhão para a Claudinha, esquecendo o quanto de vidas que foram perdidas pela falta desta UTI e demais serviços hospitalares em Jacobina??? Deixo em aberto para o leitor refletir.
2º) Ninguém é tão bobo ao ponto de não saber que a mídia nativa (rádios, jornais escritos, carros de som e sites de internet) têm como seu principal sustento as propagandas, sem estas não seria possível as mesmas se manterem, deste modo, lançamos a seguinte indagação, estou errado ou já tem rádio e radialista recebendo para fazer propaganda enganosa em prol da administração local? Ao que parece têm uns dois locutores que passaram 3 anos ou mais criticando e colocando o povo ciente do descaso, mas me parece que estes leões estão bem mais mansos, gostaria de saber o que acalma estes âncoras??? Sensatez, ética ou capital??? Deixo também em aberto para que o leitor tire sua própria conclusão após escutar um destes programinhas que vendem até empréstimo de 1 centavo para os coitados dos aposentados, o pior é saber que muitos deles se acham o supra-sumo da verdade e da coerência jornalística embora eles propaguem quantidade e não qualidade, logo uma pequena analise subjetiva desconstrói qualquer identidade ambígua; quem não lembra do artigo do Frei Petrônio apresentando quem são “donos” da “noticia” em Jacobina. Com todo respeito, admiro a envergadura dialética de alguns destes âncoras mas é exatamente a falta de imparcialidade de alguns que denúncia como cada situação define seu trabalho, contudo não iremos perder a esperança de que a nossa força (boca a boca) vai tornar o eleitor mais esclarecido e a memória vai derrotar o capital, esperemos os projetos e curtiremos a micareta e as rádios de olho e ouvidos bem abertos.
3º) Como em qualquer sociedade, a educação é o instrumento libertador e corregedor de qualquer mazela que acomete a cidade, mas como no Brasil ainda não atingimos o nível desejado de letramento na sociedade, precisamos ficar atentos para o Tsunami de propagandas, inaugurações de calçamentos, quadras esportivas entre outros eventos que irão ocupar a pauta da maioria das rádios, precisamos aplaudir as coisas boas mas não podemos aceitar que entre governo e saia governo com a idéia de que só se trabalha no último ano de mandato, pois nós pagamos impostos todos os dias e precisamos ver o retorno deles.
Por outro lado, nas esquinas da nossa cidade já começou o bate-boca, uns dizendo que pior é na cidade tal que nem hospital tem, outros dizem que o SAMU não veio porque em Sr. Do Bonfim está fechando e por ai vai. Bem, é bom que se espelhemos nas coisas boas, afinal vivemos em Jacobina e para nós não importa se determinados serviços funcionam ou não existem em outras cidades, isso é baixa estima, é bom que olhemos para as coisas positivas e possíveis, como em Serrinha que já possui SAMU e UPA e o povo está sendo bem atendido, assim queremos também em nossa cidade pois o mesmo imposto que eles pagam lá nós também pagamos aqui e para a implantação destes serviços basta apenas vontade política, pois o Gestor não é dono do nosso dinheiro ele apenas administra e deve escutar o povo sob pena do povo não lhe escutar, chega de tanto “pão e circo”, Jacobina pode muito mais e seu povo não pode ser penalizado por anseios egoístas de uma minoria, avante povo, vamos construir algo melhor para nossos filhos e netos.


Saudações,





terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


O diretório municipal do PC do B realiza nesta terça-feira uma assembléia pública no intuito de discutir um projeto de governo participativo para o municpio de Jacobina-BA. O evento ocorrerá no auditório do sindicato dos comerciários, a partir das 18:30hs, na oportunidade a comissão eleitoral do partido vai acolher susgestões e inseri-las no projeto oficial que será apresentado à sociedade em outra data, contamos com a participação de todos!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A última Chance !!!

                                                      
A ÚLTIMA CHANCE !!!!!!


Em Jacobina, presenciamos todos os dias diversas mortes que talvez pudessem ser evitadas, contudo o povo é submetido ao sistema de terapias de ambulância  e os números de óbitos estão crescendo cada vez mais, na maioria das mortes nem o paciente nem os parentes têm direito à última chance.
Quando assistimos ou escutamos pela rádio  uma gestora pública dizer ao povo que não quer UTI, Lacen nem SAMU em nossa cidade alegando que não tem condições de manter os serviços ou que não quer atender pessoas que não são do município de Jacobina, sob pena de onerar o cofres públicos, percebemos que este tipo de postura não converge com as ações em rede que ocorrem  maioria das nações, estados e municípios, ou seja, todo mundo sabe que na atualidade não se vive nem se morre se parcerias(redes), sem trocas e sem favores, quem sabe o custo de uma UTI hoje poderia ser suprido por ajudas financeiras (pactuação) dos demais municípios favorecidos pelos serviços, caso a nossa gestora tivesse utilizado o diálogo e o bom senso ao invés da arrogância e da individualidade monocrática.
Todavia, o pior não é saber que estamos sem UTI na cidade do ouro, o pior é saber que as ambulâncias do SAMU, serviço que não foi implantado em Jacobina, segue recolhendo pessoas enfermas para levar ao Hospital Antonio Teixeira Sobrinho, nosocômio onde os profissionais médicos só recebem plantões ambulatoriais e deste modo, mesmo que alguns médicos tenham conhecimentos cirúrgicos eles não iriam realizar cirurgias já que só estão sendo pagos “mandados” a fazer atendimentos ambulatoriais, ou seja, para operar só em casos seletivos, pré autorizados,  nada de urgência ou emergência, assim atestam que a principal função do HATS está encerrada, pois lá era um dos maiores centros de atendimento e resolução de baixa e média complexidade, onde hoje não se faz uma “redução de fratura umeral”.
Bem, diante deste caos silencioso que se instalou em Jacobina e a complacência de vários apaixonados, eu gostaria de fazer a seguinte pergunta: Até quando iremos perder nossos entes queridos sem direito a uma última chance??? Será que a vida de um simples cidadão ou a de um médico faz diferença quando sabemos que a cidade não possui equipamentos para manter as pessoas vivas até  a chegada de um atendimento especializado?? Se o cantor Wando estivesse em Jacobina, ele teria sobrevivido ao primeiro  infarto que antecedeu a sua morte??
Pense bem, e antes de qualquer vaidade pessoal, reflita se este tipo de gestão merece uma 2ª chance ou já está na hora de acabar com a matança ??
A decisão é sua, e pode custar a sua própria vida, portanto, dê a você mesmo a última chance.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Serras de Jacobina pedem Socorro !!!



Todos os anos presenciamos uma série de ações da Mineração de Jacobina onde são contemplados com dinheiro vários projetos comunitários e de ONGs na nossa cidade. No último evento vimos diversos aparelhos de combate ao fogo serem exibidos no sambódromo em Jacobina; bombas d'água, abanadores, botas, roupas especiais etc. Contudo a pergunta que me surge hoje é quem está administrando estes equipamentos que foram adquiridos com recursos doados pela mineradora ? Pelo o que parece, não estão servindo à população já que as serras de Jacobina estão em chamas há mais de dois dias e não vimos nenhum membro destas tais organizações defensoras da natureza e do turismo local, se mobilizarem para atuarem contra este incêndio. Há algum tempo escutei um âncora de uma Radio Local fazer uma campanha para ajudar a adquirir uma Moto para um membro de um Grupo chamado "alguma coisa verde" ao que parece, a atitude do radialista foi nobre mas o seu objetivo não parece ter sido atingido já que o veiculo adquirido não está a serviço do combate ao fogo como era sua intenção, assim todos os anos criam-se novas entidades que teoricamente querem desenvolver ações de preservação e correção a possiveis acidentes ambientais ocorridos em Jacobina embora no fundo não passam de trampolim para o acesso de beneficios pessoais ou em algums casos politicos pessoais.
Por outro lado, vejo que não consigo me calar diante de tanto desencontros e faz de conta neste contexto ambiental, logo venho através deste pequeno texto conclamar aos que se dizem defensores da natureza e de Jacobina para que possamos através de Lei Municipal criar uma brigada de incêndio permanente, com dotação orçamentária e concursos público para preenchimento dos cargos públicos, focando a proteção do ambiente urbano e o rural e deste modo colocarmos um ponto final neste corre-corre que todos os anos aflinge o cidadãos de Jacobinenses. 
Para os vereadores que só mamaram é uma boa oportunidade para fazerem algo pragmático para o povo de Jacobina, vamos pressionar e veremos o resultado.

Saudações e Feliz 2012 a todos !!!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O NATAL SEM DEUS E SEM RELIGIÃO !!!

Enio Squeff: "A morte de Deus" e o Natal sem religião


Torna-se cada vez mais difícil associar a Natal ao nascimento de Cristo. Existe muito pouco hoje, na "maior festa da Cristandade" que conduza à conclusão de o Natal ser realmente uma festa cristã. É complicado, realmente, vender geladeiras e máquinas de lavar roupa, com as menções a Deus.

Por Enio Squeff*


O poema de Machado de Assis em que ele pergunta se somos nós que mudamos ou se o Natal, parece anteceder a uma questão hoje corrente: a irreligiosidade da sociedade contemporânea. Émile Zola - que foi um dos primeiros críticos a elogiar os pintores impressionistas - achou de chamá-los de "realistas": eles, de fato, romperam uma tradição do cristianismo, de pintarem o ideal, como seriam as cenas religiosas. Mesmo quando retratavam alguém, não raro, um Rubens, um Delacroix ou mesmo um Ingres, trataram de fazê-lo, tendo como pano de fundo, digamos, uma cena idealizada, ou antes, um fundo nenhum. Foi o que fez Charles Dickens. Em seu famoso conto de Natal ("Christmas Carol"), tratou de pôr fantasmas na mente culpada do empresário que maltrata seu empregado, a partir da descrição de um literal pesadelo. O espectro, que arrasta correntes pela casa, e que o persegue no meio da noite, é claramente o demônio de sua consciência. Em seu poema, Machado de Assis não fala da questão do consumo que, em seu tempo, era muito precário em comparação com o que se vê hoje em dia. Mas ao detectar uma transformação ("Mudaria o Natal ou mudei eu"?), o escritor projeta a resposta que o mundo deu no futuro: o Natal, em si, já não é uma festa religiosa. Tudo indica que o que mudou foi o Natal.

Talvez a questão resida, de novo, no Papai Noel, um ícone de mentira, que sabemos ser de mentira, e que, por isso mesmo, não passa de um ícore. Na verdade, o personagem não tem nada de religioso: ele atravessa os ares com seu trenó, deixa presentes às crianças, mas não reivindica qualquer ligação com o além. Não é o Cristo da Manjedoura que o envia. Quando muito, talvez, sugira, pelas cores, a Coca-Cola: foi com o refrigerante que o Papai Noel apareceu na forma que tem hoje. O mais é a mistura: os sinos tocam em Belém "para o nosso bem", etc e tal -mas os personagens da Manjedoura parecem resolutamente secundários, coadjuvantes quase. E para os chamados "crentes" - que na atualidade constituem mais de um terço dos religiosos do país- o Presépio sequer existe. Assim também nas representações públicas. No máximo, temos a parafernália das luzes que se enrolam nas árvores, ou que despencam dos edifícios como um espetáculo feérico - mas que parece ter mais a ver com o neon da publicidade do que com as cenas consagradas pela tradição - aquela que se estreita numa gruta, com o Menino, a Virgem, os pastores vindos ao longe - anjos luminosos, uma estrela guia, e as músicas ressoando desde a estratosfera.

Quando Nietszche disse que Deus estava morto, a reação alcançou todos os setores das religiões; a grita geral atingiu vários níveis e o próprio Nietszche foi anatemizado. Sua constatação, de que as religiões perdiam seus elos com a totalidade dos homens, a começar pela sua posição no Estado, nunca foi contestada pelos fatos. E o alarido que se seguiu a sua conclusão, fez muita gente contabilizar, não só os milagre - como os de Fátima, de Lourdes e outros -, mas todo um elenco de fatos extraordinários, os quais, entretanto, nem de longe parece terem tido o condão de ressuscitar Deus.

Evidentemente, existem os religiosos: o Papa ainda reza a Missa do Galo, os crentes em suas denominação cada vez mais numerosas (a contar pelo número de pastores "empreendedoristas"), continuam a erguer seus braços na saudação a Cristo Jesus e em seus "aleluias". Algumas igrejas católicas esplendem em cores e luzes. Além do mais, há o islamismo. Dizer que Maomé já não tem Deus para ser seu último profeta, parece desconsiderar uma religião que cresceu desmesuradamente nos últimos anos, a ponto de os islâmicos serem, no mundo atual, em números, uma comunidade muito maior que a cristã. De fato, há aspectos de guerra religiosa na resposta que muitos muçulmanos dão às bombas dos EUA e da Otan, que negam, em princípio, a morte de Deus. No entanto, pode-se objetar que, ainda assim, soa inclusive para muitos seguidores do Profeta, quase uma regressão conceber a organização das sociedades em Estados Religiosos. No próprio Irã, aliás, há quem dê como como em dias contados, a manutenção da predominância dos clérigos na condução do Estado. Lá, também Alá estaria morto.

A questão, contudo, não parece simples; e não é. Há anos, um religioso escreveu um livro sobre a arte sacra do nosso tempo. Defendia que ela existiria, a despeito da irreligiosidade desenfreada que paradoxalmente se seguiu à Segunda Guerra. Referia-se ao catolicismo e nomeava alguns artistas contemporâneos. Olivier Messiaen que morreu não faz muito, foi, realmente, um compositor que sempre se postou como católico. Escreveu obras textualmente, "para Jesus" e guardou-se de que sua fé era inquebrantável, o que não deixou de ser reafirmado até sua morte. Georges Rouault, pintor, um pouco mais velho que Messiaen, francês como ele, fez uma obra quase que inteiramente religiosa. Françoise Gilot, ex-mulher de Picasso, autora de um livro sobre o pintor, refere-se a Rouault como um artista, eminentemente, religioso. O próprio escritor inglês Graham Greene, morto há uns vintes anos, expôs o problema religioso no âmbito das questões existenciais prioritárias do nosso tempo. Mas, pelo fato de ter colocado a questão, justamente como "um problema", não parece ter esmorecido a questão concreta de que, com ou sem "o problema", Deus estaria, de fato, morto.

Pode-se, certamente, ler de muitas maneiras a afirmação ("aforismo") de Nietzsche. A um homem convicto de sua fé - e há um sem número deles, inclusive entre grandes intelectuais e cientistas - a consideração seria ociosa, até contraditória. Teria de se a avaliar a questão com as devidas reservas: José Saramago, um decidido agnóstico, não imputou a Deus o "grande mal do mundo"? Como considerá-lo morto, se a cada homem-bomba no Iraque ou no Afeganistão, reacende-se a questão do martírio, que só se concebe na crença de uma fé inquebrantável? Realmente, é assim. Mas se torna cada vez mais difícil associar a Natal ao nascimento de Cristo. Ou melhor: existe muito pouco, na "maior festa da Cristandade" que conduza à conclusão de o Natal ser realmente uma festa cristã.

Claro, alguém dirá que é próprio do capitalismo não estreitar comemorações na religião. Complicado, realmente, vender certos produtos com as menções a Deus. Geladeiras e máquinas de lavar roupa, com as bênçãos do Manjedoura, são difíceis de engolir. Os religiosos que o digam.

Há as medalhinhas católicas e os dízimos protestantes, sem dúvida: todos são produtos vendidos ou comprados "em nome de Deus". Os pagadores de promessa, que se reúnem em Aparecida, aumentam sempre, talvez não na mesma proporção de tempos atrás, mas são numeroso; só que, em todas as manifestações, o que nos identifica já não é a totalidade do ser religioso socialmente, senão a especifidade de o sermos, no âmbito de nossas respectivas igrejas e templos.

Parece ser, enfim, inelutável entre os homens, a existência de um sentimento religioso difuso. Mas já Deus é um traço subjetivo, que não se expõe na última análise das músicas, cantadas nos templos, que só têm de verdadeiramente religioso a invocação direta a Deus. Canta-se Deus em forma de rock, de música de alto consumo, mas justamente por ser também Deus um objeto de consumo. Ou seja, parece que Deus prescinde de uma música especial, de comportamentos que distingam os religiosos dos consumidores. Somos crentes para invocarmos Deus, mas não para nos alijarmos dos outros como uma característica especial.

Durante as perseguições religiosas na Roma antiga, a marca do cristão era uma espécie de divisor de águas: não havia a "mercadoria Deus". Deve ser por Papai Noel mostrar-se tão importante, que se prescindem as ginásticas para não ofendermos ninguém, ao não invocarmos Deus justamente naquela que seria a marca da "maior festa da Cristandade"?
A pensar, certamente.

*Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

Fonte: Carta Maior